Escuta o Papa: Sagrada Família (C)

Hoje celebramos a Sagrada Família de Nazaré. Deus escolheu uma família humilde e simples para vir entre nós. Contemplemos a beleza deste mistério, ressaltando também dois aspetos concretos para as nossas famílias.

O primeiro: a família é a história da qual provimos.[…] O Evangelho da liturgia de hoje recorda-nos que também Jesus é filho de uma história familiar. Vemo-lo ir a Jerusalém com Maria e José para a Páscoa; depois, faz preocupar a mãe e o pai, que não o encontram; quando o encontram, volta para casa com eles. (cf. Lc 2, 41-52) É bonito ver Jesus inserido nas vicissitudes dos afetos familiares […]. Isto é importante também para nós: provimos de uma história tecida com vínculos de amor. […] Talvez não nasçamos numa família extraordinária e sem problemas, mas é a nossa história […] são as nossas raízes: se as cortarmos, a vida torna-se árida! […]

O segundo aspeto: aprende-se a ser família todos os dias. No Evangelho vemos que até na Sagrada Família nem tudo corre bem: há problemas inesperados, angústias, sofrimentos. Maria e José perdem Jesus, procuram-no ansiosamente, e encontram-no depois de três dias. E quando, sentado entre os mestres no Templo, responde que deve cuidar das coisas do seu Pai, não o compreendem. Precisam de tempo para aprender a conhecer o seu filho. 

Assim também para nós: todos os dias, em família, é preciso aprender a ouvir-se e a compreender-se, a caminhar juntos, a enfrentar conflitos […]. É o desafio diário, que se vence com a atitude certa, […] cuidando dos detalhes das nossas relações. […] E como se faz isto? Olhemos para Maria, que no Evangelho de hoje diz a Jesus: «O teu pai e eu estávamos à tua procura» (v. 48). O teu pai e eu, não diz eu e o teu pai.[…] Aprendamos isto: […] na Sagrada Família, primeiro o tu e depois o eu. Para preservar a harmonia na família, devemos combater a ditadura do eu, quando o eu se incha. É perigoso quando […] em vez de termos gestos de cuidado pelos outros, nos fixamos nas nossas necessidades; quando, em vez de dialogar, nos isolamos com o telemóvel […]; quando nos acusamos uns aos outros, repetindo sempre as mesmas frases, […] onde cada um quer ter razão e, no final, instaura-se um silêncio frio. […] Repito um conselho: à noite, no final de tudo, é bom fazer as pazes, sempre. […] Caso contrário no dia seguinte haverá uma “guerra fria”! […] Passemos do eu para o tu. O que deve ser mais importante na família, é o tu. E todos os dias, por favor, rezai um pouco juntos, […] para pedir a Deus o dom da paz na família. […] Que a Virgem Maria,[…] ampare as nossas famílias.

E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim.

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco no Angelus de 26 de dezembro de 2021

Escuta o Papa:  Natal de Nosso Senhor (C)

Na noite, acende-se uma luz. Aparece um anjo, a glória do Senhor envolve os pastores e finalmente chega o anúncio há séculos esperado: «Hoje (…) nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor» (Lc 2, 11). Mas surpreende aquilo que o anjo acrescenta para indicar aos pastores como encontrar Deus que veio à terra. «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (2, 12). Eis o sinal: um menino. E é tudo: um menino na tosca pobreza duma manjedoura. […] Nada mais! Como predissera Isaías: «Um menino nasceu para nós» (Is 9, 5).

O Evangelho insiste neste contraste. Narra o nascimento de Jesus, começando por César Augusto: primeiro mostra o imperador na sua grandeza. Mas, logo a seguir, leva-nos a Belém, onde, de grande, não há nada: apenas um menino pobre envolto em panos, rodeado por pastores. E ali está Deus, na pequenez. Eis a mensagem: Deus não cavalga a grandeza, mas desce na pequenez. […].

Irmãos e irmãs, ao parar diante do presépio, fixemo-nos no centro: […] e contemplemos o Menino. Na sua pequenez, está Deus inteiro. Reconheçamo-Lo: «Menino, vós sois Deus, Deus-Menino». Deixemo-nos invadir por este espanto alvoroçado. Aquele que abraça o universo, precisa de ser tomado nos braços. Ele, que fez o sol, tem de ser aquecido. […] O amor infinito tem um coração minúsculo, que emite batimentos leves. A Palavra eterna é infante, isto é, incapaz de falar. O Pão da vida tem de ser nutrido. O criador do mundo não tem onde morar. Hoje inverte-se tudo: Deus vem, pequenino, ao mundo. A sua grandeza oferece-se na pequenez. […]

Deus revela-Se, mas os homens não O compreendem. Faz-Se pequeno aos olhos do mundo… e nós continuamos a procurar a grandeza segundo o mundo, talvez até em nome d’Ele. Deus abaixa-Se… e nós queremos subir para o pedestal. O Altíssimo indica a humildade… e nós pretendemos sobressair.[…] Jesus nasce para servir… e nós passamos os anos atrás do sucesso. Deus não busca força nem poder; pede ternura e pequenez interior.

Eis o que devemos pedir a Jesus no Natal: a graça da pequenez. «Senhor, ensinai-nos a amar a pequenez. Ajudai-nos a compreender que é a estrada para a verdadeira grandeza». Mas que significa, concretamente, acolher a pequenez? 

Em primeiro lugar, significa acreditar que Deus quer vir às pequenas coisas da nossa vida, quer habitar nas realidades quotidianas, nos gestos simples que realizamos em casa, na família, na escola, no trabalho. É na nossa existência ordinária que Ele quer realizar coisas extraordinárias. […] 

Mais ainda! Jesus não quer vir só às pequenas coisas da nossa vida, mas também à nossa pequenez: ao nosso sentir-nos fracos, frágeis, inadequados, talvez até errados. Irmã e irmão,[…] se as feridas que trazes dentro te gritam «contas pouco, não vales nada, nunca serás amado como queres», nesta noite […] tens a resposta de Deus, que te diz: «Fiz-Me pequeno por ti. […] Estou perto de ti e a única coisa que te peço é isto: confia em Mim e dá-Me guarida no teu coração».

Acolher a pequenez significa mais uma coisa: abraçar Jesus nos pequenos de hoje. Ou seja, amá-Lo nos últimos, servi-Lo nos pobres. São eles os mais parecidos com Jesus, nascido pobre. E é nos pobres que Ele quer ser honrado. Nesta noite de amor, um único medo nos assalte: ferir o amor de Deus, feri-lo desprezando os pobres com a nossa indiferença. São os prediletos de Jesus, que nos hão de acolher um dia no Céu. Uma poetisa escreveu: «Quem não encontrou o Céu cá em baixo, falhá-lo-á lá em cima» (E. Dickinson, Poems, XVII). Não percamos de vista o Céu, cuidemos de Jesus agora, acarinhando-O nos necessitados, porque Se identificou com eles. […] 

Voltemos a Belém. Faz-nos bem ir lá, dóceis ao Evangelho de Natal, que apresenta a Sagrada Família, os pastores e os Magos: são, todos, pessoas a caminho. Irmãos e irmãs, ponhamo-nos a caminho, porque a vida é uma peregrinação. Ergamo-nos, despertemos porque, nesta noite, acendeu-se uma luz. É uma luz suave e lembra-nos que, na nossa pequenez, somos filhos amados, filhos da luz (cf. 1 Tes 5, 5). Irmãos e irmãs, alegremo-nos juntos, porque ninguém apagará jamais esta luz, a luz de Jesus, que, desde esta noite, brilha no mundo.

E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim.

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco na  Homilia de 24 de dezembro de 2021

Escuta o Papa: 4º Domingo Advento (C)

O Evangelho da Liturgia de hoje, quarto Domingo do Advento, narra a visita de Maria a Isabel (cf. Lc 1, 39-45). Tendo recebido o anúncio do anjo, a Virgem não fica em casa, a pensar no que aconteceu e considerando os problemas e imprevistos, que certamente não faltavam. […]Em vez de se concentrar nos seus problemas, pensa nos necessitados, pensa em Isabel, sua prima, de idade avançada e estava grávida […]. Maria parte com generosidade, sem se deixar intimidar pelos desconfortos da viagem […] E o texto diz que Nossa Senhora «se levantou e foi à pressa».

Levantar e caminhar depressa: são os dois movimentos que Maria fez e que nos convida a fazer tendo em vista o Natal. Antes de mais, levantar-se. Após o anúncio do anjo, para a Virgem inicia um período difícil: a sua gravidez inesperada expunha-a a incompreensões e até a severas penas, inclusive o apedrejamento, na cultura da época. Imaginemos quantos pensamentos e turbamentos tinha! No entanto, não desanimou, não se abateu, mas levantou-se. […] E não pensou em pedir ajuda a alguém, mas a quem levar ajuda. Pensou sempre nos outros: assim é Maria, sempre a pensar nas necessidades dos outros.[…] 

Maria, sempre a pensar nas necessidades dos outros.[…] Aprendamos de Nossa Senhora este modo de reagir: […] olhemos para a nossa volta e procuremos alguém a quem possamos ser úteis! Há algum idoso que eu conheço a quem posso oferecer ajuda, companhia? […] Ou fazer um serviço para uma pessoa, uma gentileza, um telefonema? Mas a quem posso dar ajuda? Levanto-me e ofereço ajuda. Ao ajudarmos os outros, ajudamo-nos a nós mesmos a reerguermo-nos das dificuldades.

O segundo movimento é caminhar depressa. Não significa proceder com agitação, de forma afanada, não, não significa isso. Trata-se, ao contrário, de conduzir os nossos dias com um ritmo feliz, olhando em frente com confiança, sem nos arrastarmos, escravos de lamentações […]. Indo em direção da casa de Isabel, Maria prossegue com o passo rápido de alguém cujo coração e vida estão cheios de Deus, cheios da sua alegria. Então perguntemo-nos, para nosso benefício: como é o meu “passo”? Sou proativo ou permaneço melancólico, na tristeza? Avanço com esperança ou fico parado e sinto pena de mim mesmo? Se prosseguirmos com o passo cansado dos resmungos e das tagarelices, não levaremos Deus a ninguém. […] Não esqueçamos que o primeiro ato de caridade que podemos fazer ao próximo é oferecer-lhe um rosto sereno e sorridente. É levar-lhe a alegria de Jesus, como fez Maria com Isabel. Que a Mãe de Deus nos pegue pela mão, nos ajude a levantarmo-nos e a caminhar depressa rumo ao Natal!

E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim.

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco no Angelus de 19 de dezembro de 2021

Escuta o Papa: 3º Domingo Advento (C)

O Evangelho da Liturgia de hoje, terceiro Domingo de Advento, apresenta-nos vários grupos de pessoas – as multidões, os publicanos e os soldados – que são tocados pela pregação de João Baptista e depois perguntam-lhe: «O que devemos fazer?» (Lc 3, 10). […] Essa pergunta […] é o coração tocado pelo Senhor, é o entusiasmo pela sua vinda que leva a dizer: o que devemos fazer? […] Demos um exemplo: pensemos que um ente querido nos vem visitar. Aguardamo-lo com alegria e impaciência. A fim de o receber adequadamente, limparemos a casa, prepararemos a melhor refeição possível […]. Em suma, daremos o melhor de nós. Assim acontece com o Senhor, a alegria pela sua vinda faz-nos dizer: o que devemos fazer? Mas Deus formula esta questão a um nível mais elevado: o que devo fazer da minha vida? A que sou chamado? O que me realiza?

Ao colocar esta questão, o Evangelho recorda-nos algo importante: a vida apresenta-nos uma tarefa. A vida não é inútil, não é deixada ao acaso. Não! É um dom que o Senhor nos dá, dizendo-nos: descobre quem és, e trabalha para realizar o sonho que é a tua vida! Cada um de nós […] é uma missão a realizar. Portanto, não tenhamos medo de perguntar ao Senhor: o que devo fazer? […] Perguntemo-nos também nós: o que é bom fazer por mim e pelos irmãos? Como posso contribuir para o bem da Igreja, para o bem da sociedade? […]

A esta pergunta “o que devemos fazer?” responde João Batista no Evangelho, diferentemente para cada grupo. […] A cada um foi dirigida uma palavra específica, relativa à situação real da sua vida. Isto oferece-nos um precioso ensinamento: a fé encarna-se na vida concreta. Não se trata de uma teoria abstrata. A fé não é uma teoria abstrata, uma teoria generalizada, não, a fé toca a carne e transforma a vida de cada um. Pensemos sobre a concretismo da nossa fé. A minha fé: é algo abstrato ou concreto?[…]  Perguntemo-nos: o que posso fazer concretamente? [..] Nestes dias […] assumamos um compromisso concreto, mesmo que pequeno, que se ajuste à nossa situação de vida, e levemo-lo a cabo para nos prepararmos para este Natal. Por exemplo: posso telefonar àquela pessoa sozinha, visitar aquele idoso ou doente, fazer algo para servir um pobre […]. Ou ainda: talvez eu tenha um perdão a pedir ou a conceder, uma situação a esclarecer […]. Talvez tenha negligenciado a oração, e depois de tanto tempo é hora de me aproximar do perdão do Senhor. Irmãos e irmãs, encontremos algo concreto e realizemo-lo! Que nos ajude Nossa Senhora, em cujo ventre Deus se fez carne.

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco  no Angelus, 12 de dezembro de 2021

Escuta o Papa: Imaculada Conceição (C)

O Evangelho da Liturgia de hoje, Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, faz-nos entrar na sua casa de Nazaré, onde recebe o anúncio do anjo. (Lc 1, 26-38) […] O anjo chama-lhe «cheia de graça». Se está cheia de graça, quer dizer que Nossa Senhora está vazia do mal, está sem pecado, Imaculada. Pois bem, ao ouvir esta saudação, Maria – diz o texto – «perturbou-se». […] Receber grandes saudações, honras e elogios às vezes corre o risco de suscitar orgulho e presunção. […] Maria, ao contrário, não se exalta, mas perturba-se; em vez de sentir prazer, fica estupefacta. A saudação do anjo parece-lhe maior do que Ela. Porquê? Porque se sente pequena dentro, e esta pequenez, esta humildade, atrai o olhar de Deus. […] 

Como é o coração de Maria? Tendo recebido o maior elogio, perturba-se porque sente dirigido a Ela o que não atribuía a si mesma. Com efeito, Maria […] não reivindica algo, não atribui nada ao seu mérito. Não se envaidece, não se exalta. Pois na sua humildade sabe que recebe tudo de Deus. Ela está, portanto, livre de si mesma, totalmente voltada para Deus e para os outros. […] Eis a verdadeira humildade: não ter olhos para si, mas para Deus e para os outros.

Recordemos que esta perfeição de Maria, cheia de graça, é declarada pelo anjo dentro das paredes da sua casa: não na praça principal de Nazaré, mas ali, no escondimento, na maior humildade. Naquela casinha em Nazaré palpitava o maior coração que qualquer criatura já teve. Caros irmãos e irmãs, é uma notícia extraordinária para nós! Pois nos diz que o Senhor, para fazer maravilhas, não precisa de grandes meios nem das nossas excelsas capacidades, mas da nossa humildade, do nosso olhar aberto para Ele e aberto também para os outros. Com esse anúncio, dentro das pobres paredes de uma pequena casa, Deus mudou a história. 

Também hoje, quer fazer grandes coisas connosco, na nossa vida diária: na família, no trabalho, nos nossos ambientes quotidianos. É ali, mais do que nos grandes acontecimentos da história, que apraz à graça de Deus agir. Mas, pergunto-me, acreditamos nisto? Ou pensamos que a santidade é uma utopia, […], uma ilusão piedosa, incompatível com a vida comum?

Peçamos a Nossa Senhora uma graça: que nos liberte da ideia enganadora de que o Evangelho é uma coisa e a vida é outra; que acenda em nós o entusiasmo para o ideal de santidade, […] Por favor, não desanimemos! […] E quando somos assaltados […] pela tristeza de sermos inadequados, deixemo-nos fitar pelos “olhos misericordiosos” de Nossa Senhora, pois ninguém que tenha pedido a sua ajuda jamais foi abandonado!

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco no Angelus, 8 de dezembro de 2021

Escuta o Papa: 1º Domingo Advento (C)

O Evangelho da Liturgia de hoje, primeiro domingo do Advento, ou seja, o primeiro domingo de preparação para o Natal, fala-nos da vinda do Senhor no final dos tempos. Jesus anuncia eventos desoladores e tribulações, mas precisamente neste momento convida-nos a não ter medo. Porquê? Porque tudo vai correr bem? Não, mas porque Ele virá. […] Ele prometeu-o. […]. Mas como podemos levantar a cabeça, não nos deixamos absorver pelas dificuldades, pelos sofrimentos e pelas derrotas? Jesus indica-nos o caminho com um forte apelo: «Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados […]. Velai, orando continuamente» . […]

Das palavras de Cristo vemos que a vigilância está ligada à atenção: estai atentos, vigiai, não vos distraiais, […].  Vigiar significa isto: não permitir que o coração se torne preguiçoso e que a vida espiritual se amoleça na mediocridade. Prestai atenção porque se pode ser “cristãos adormecidos” – e nós sabemos: há muitos cristãos adormecidos, cristãos anestesiados pela mundanidade espiritual – cristãos sem ímpeto espiritual, sem ardor na oração  […]sem entusiasmo pela missão, sem paixão pelo Evangelho. […] 

Precisamos de estar vigilantes para não arrastar os dias no hábito, para não nos sobrecarregarmos – diz Jesus – com as preocupações da vida (cf. v. 34). As preocupações da vida sobrecarregam-nos. Por conseguinte, hoje é uma boa ocasião para nos perguntarmos: o que torna o meu coração pesado? […]. Quais são […] os vícios que me esmagam e me impedem de levantar a cabeça? E em relação aos fardos que pesam sobre os ombros dos irmãos, estou atento ou indiferente? Estas perguntas fazem-nos bem, pois ajudam a proteger o coração da acídia. É um grande inimigo da vida espiritual, também da vida cristã.  A acídia é aquela preguiça que faz precipitar, deslizar na tristeza, que cancela o gosto pela vida e a vontade de fazer. É um espírito negativo, um espírito mau que prende a alma no torpor, roubando-lhe a alegria. […]. 

O segredo para estar vigilante é a oração. Com efeito, Jesus diz: «Velai, orando continuamente» (Lc 21, 36). É a oração que mantém acesa a lâmpada do coração. Especialmente quando sentimos que o entusiasmo se arrefece, a oração reacende-o, porque nos reconduz para Deus, para o centro das coisas. A oração desperta a alma do sono e concentra-a no que é importante, na finalidade da existência. Até nos dias mais movimentados, não negligenciemos a oração. […]. Pensemos no presépio, no Natal, e digamos de coração: “Vinde, Senhor Jesus, vem”. Repitamos esta oração ao longo do dia, e o espírito permanecerá vigilante!

Por favor, não se esqueçam de rezar por mim.

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco no Angelus, 28 de novembro de 2021

Noites de conversa na Capela 

Decorreu no passado sábado, 9 de Dezembro, na Capela da semana da Paróquia de Nª Srª da Areosa, o primeiro de um ciclo de encontros denominado “Conversas com Francisco”. Trata-se de um espaço informal de reflexão em torno das mensagens recentes do Santo Padre.

O tema do primeiro encontro “Que a Igreja não seja uma alfândega” permitiu a escuta de excertos duma homilia do Papa (no Mosteiro dos Jerónimos durante as JMJ 2023) e gerou uma participação entusiástica dos presentes.

Numa Igreja que se quer católica (“referente à totalidade”, “universal”), a Paróquia N.ª Sr.ª da Areosa e o FiCA, convidam “todos” os que se queiram juntar no próximo encontro apontado para o dia 20 de janeiro de 2024. A confirmação surgirá nas redes sociais do FICA (Facebook e Instagram).

Entretanto a organização já disponibilizou os conteúdos (vídeos e textos) partilhados no encontro para os que quiserem acompanhar à distância aqui: http://www.formacaocrista.org/conversas

III-01. O Pentecostes e o início da Igreja

No módulo 3, começamos no exato ponto onde terminamos o módulo 2: o que acontece a seguir à Ressurreição de Jesus (com que terminam os evangelhos).

Essa descrição está no livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por São Lucas, que é uma continuação do seu evangelho. Durante 40 dias, Jesus Ressuscitado permanece na terra com os seus apóstolos e antes de subir ao céu os instrui a esperarem em Jerusalém para receber um novo tipo de poder que os tornará testemunhos fiéis do Reino de Deus.

50 dias após a Ressurreição, no festival judaico do Pentecostes, estando os apóstolos reunidos, desce sobre eles o Espírito Santo, sob a forma de as línguas de fogo. É bom relembrar que em algumas passagens do Antigo testamento Deus se manifestava sob a forma de fogo (a coluna de fogo que demonstrou a presença de Deus no tabernáculo). Antes a presença de Deus apenas estava reservada aos templos, Lucas sublinha que Deus agora habita no próprio povo, os que seguem Jesus.

Outra manifestação do Espirito Santo, foi que os apóstolos começaram falar em várias línguas, de maneira que todos os israelitas de várias proveniências os entendiam (depois da dispersão dos povos e das línguas em Babel, Deus agora cria harmonia entre todas as nações).

Pedro e os apóstolos testemunhavam a vida de um homem chamado Jesus que havia sido morto pelos romanos e ressuscitado, tornando-se o verdadeiro rei de Israel e do mundo. Baseado nas Escrituras, Pedro explica que isso é o cumprimento do esperado Messias de Israel. Milhares de peregrinos judeus começam a seguir o caminho de Jesus.

Assim, o evangelista destaca a formação de novas comunidade onde as pessoas vendem os seus bens em prol da comunidade, tratam dos pobres, comem suas refeições juntos, rezam juntos. No entanto, também há menção a um episódio de corrupção na comunidade.

Mas o problema maior vem de fora, com a perseguição dos líderes religiosos de Jerusalém que consideraram este movimento com uma perigosa seita religiosa. Quando um dos discípulos, Estevão, pregava às portas do tempo, «os seus adversários escolhem a solução mais mesquinha para aniquilar um ser humano: a calúnia ou falso testemunho» (Papa Francisco). Estevão foi apedrejado à morte, mas antes coloca a sua vida nas mãos do Senhor e morre como o Seu Mestre perdoando: «Senhor, não os condenes por este pecado.»

«O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade.» (CIC nº 2473)

«Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus.» (Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Romanos)

«Nem todos são chamados ao martírio de sangue, mas todos somos chamados a vivermos cotidianamente o “martírio branco”, que é o “martírio sem derramamento de sangue, em meio às perseguições”» (São João Paulo II, livro “Estou nas mãos de Deus”)

A maioria dos seguidores fugiu para outras regiões, como Samaria, onde viviam seus antigos inimigos. Lucas mostra como essas pessoas inesperadas começaram a seguir Jesus, como um feiticeiro de Samaria que aprendeu a servir aos outros. Pedro, por sua vez, teve uma visão que o levou a perceber que Deus declarava que os não-israelitas eram parte da família de Abraão, e decidiu falar aceitar batizar um centurião romano chamado Cornélio, bem como toda a familia.

Em Jerusalém, Saulo de Tarso era um isralita convicto que tinha como tarefa perseguir os seguidores deste movimento. Aliás ele próprio tinha estado na condenação de Estevão. Mas, após um encontro súbito com Jesus ressuscitado, Saulo se tornou um seguidor fervoroso de Jesus e começou a pregar a “boa nova” em Damasco.

Paulo (nome grego de Saulo) familiarizado com as estradas romanas, percorria várias cidades do Império Romano, deslocava-se à sinagoga local e lá anunciava que Jesus era o Rei Messiânico prometido nas escrituras

Também no mercado, onde fabricava tendas para sustentar suas viagens, ensinava a mensagem de Jesus, o amor como forma de governar. Esta mensagem frequentemente gerava oposição e tumultos, pois a adoração aos deuses mantinha unida a cultura romana e o novo ensinamento poderia ser visto como uma ameaça contra toda a ordem política.

Apesar das dificuldades, as pessoas eram cativadas pela história de Jesus e formavam novas comunidades, onde todos eram tratados como iguais. Essas pessoas viviam em comunidades, cuidavam dos pobres, vivendo como se Jesus fosse o verdadeiro rei.

«Jesus responde à nossa condição humana, tão elevada em dignidade mas ao mesmo tempo tão frágil, com uma presença amorosa que se curva, toma pela mão e levanta.»

«A única vez em que é lícito olhar as pessoas de cima para baixo é quando nos curvamos para ajudá-las a levantar-se.»

“Para a Igreja, cuidar dos doentes não é uma ‘atividade opcional’. É parte integrante de sua missão, como era da missão de Jesus: levar a ternura de Deus à humanidade sofredora.” (Papa Francisco, Angelus, Fevereiro 2021)

Paulo enfrentou muita dor e sofrimento na sua jornada, mas acreditava convictamente na mensagem de Cristo e na transformação que ela poderia proporcionar. Ele tinha um grande desejo de unificar todas as comunidades cristãs, independentemente de suas diferenças.

Numa ocasião, quando a comunidade de Jerusalém estava a sofrer com uma seca e escassez de alimentos, Paulo iniciou um projeto de captação de recursos entre as diversas igrejas que havia iniciado para levar ajuda a Jerusalém.

Isso era pessoal algo de pessoal paraPaulo, pois Jerusalém era onde ele costumava participar do assassinato dos seguidores de Jesus e agora ele podia servi-los. No entanto, sua ida a Jerusalém foi um risco, já que os líderes judeus não gostavam dele e queriam sua morte.

Como esperado, Paulo foi encontrado por seus inimigos e uma multidão se formou tentando matá-lo. Os soldados romanos salvaram sua vida, levando-o em custódia. Os líderes judeus acusaram Paulo de iniciar uma revolta contra Roma, mas não puderam provar.

Então, Paulo foi transferido de uma prisão para outra até que exigiu que seu caso fosse julgado na corte de César em Roma. Ele foi despachado para Roma e colocado sob prisão domiciliar, onde pode hospedar grupos de judeus e não-judeus, compartilhando as boas novas sobre Jesus, o rei ressuscitado. Este movimento era ousado, pois em Roma, o centro do poder, César governava o mundo como rei.

O livro de Actos termina com Lucas a sublinhar um contraste entre os reinos de César e Jesus. Ele deixa a história em aberto de propósito para que seus leitores saibam que a história não acabou e que eles podem participar do reino de Jesus que ainda está se espalhando nos dias de hoje, um TESTEMUNHO de cada vez.

Para aprofundar

Para aprofundar o tema, sugerimos a visualização destas video-aulas que em poucos minutos nos permite ter uma visão mais alargada sobre o tema.

I-07. Os reis na prosperidade: David e Salomão 

O segundo livro de Samuel, apresenta-nos o rei David como o ungido de Deus, sucessor do Rei Saul, a sua ascensão ao trono de Israel, mas também a sua decadência.

Após a morte de Saúl, o povo aclama David como rei do povo de Israel. Durante o seu reinado, une todas as tribos de Israel como uma só nação. Conquista a cidade de Jerusalém, onde estabelece a Capital de Israel. O Rei David também decide fazer da capital a Cidade Santa e, para tal, trouxe a Arca da Aliança para a cidade, que se transforma num sítio de peregrinação e de proximidade entre o povo de Israel e a divindade.  

David pergunta ao profeta Natã se pode edificar um templo para a habitação de Deus. Deus agradeceu e mas prometeu ser a Ele a construir-lhe uma casa, uma dinastia. Ou seja, Deus prometeu que da linhagem real de David viria um futuro Rei (Jesus), para reunir todos os povos na justiça e fraternidade implementando o Reino de Deus.

Em tempo de prosperidade para Israel, o autor sagrado faz questão de sublinhar que no melhor pano cai a nódoa.  Conta-nos como David, a partir de um momento de preguiça procura uma situação de adultério: apaixonou-se pela mulher do seu general Urias, chamada Betsabé que acabou por conceber. David, tentando enconbrir a situação, provoca um mal ainda maior e manda matar Urias. O corajoso profeta Natan denuncia o seu pecado, através de uma parábola .(II Samuel 11 e 12).

O grande rei David demonstra a fragilidade de ser pecador como todos os homens, mas consegue superá-la reconhecendo: “Pequei contra Deus”. A David atribuem-se a maioria dos salmos da Bíblia em particular o salmo 50 em que demonstra a Deus todo o seu arrependimento. Ainda hoje nós os cristãos recitamos esse salmo, pois todos já fomos tentados, pecamos e necessitamos de perdão. 

Deus, misericordioso, perdoa David, mas não apaga as consequências das suas ações. A ruína caiu sobre a descendência de David e o seu reino entra em decadência. David passa a viver em arrependimento e, mesmo nos tempos difíceis, manteve-se fiel ao seu Deus até a morte.

Já no livro dos Reis, conhecemos o Rei Salomão, fruto do casamento entre David e Betsabé, que sucedeu ao seu pai no trono de Israel. Salomão concretiza o desejo do pai e constrói um templo para Deus. Ficou conhecido pela sua grande prosperidade e pela sabedoria que Deus lhe concedeu para liderar Israel.

No entanto, também Salomão vai começar esquecer aalinça com Deus de Israel e com o objetivo de estabelecer alianças políticas, casa-se com centenas de mulheres, filhas de Reis, além disso começa a adorar os seus deuses pagãos. Deixou de agir em harmonia com a sabedoria que Deus lhe concedera e, consumido pela ganância e pelo poder começa a assemelhar-se mais ao Faraó do que ao seu próprio pai.

Depois da morte de Salomão, Israel encontra-se dividida em dois Reino: o Reino do Norte (Israel) cuja capital é Samaria e tem Jeroboão como rei e o Reino do Sul (Judá) cuja capital é Jerusalém e seu Rei é Roboão, filho de Salomão.

Com esta divisão, vieram tempos poucos saudáveis onde os reis e seus súbditos nem sempre se preocuparam em viver de acordo com a aliança que Deus estabelecera com os seus antecessores. Começam a adorar outros deuses e a distanciar-se cada vez mais do Deus único e verdadeiro.

Até que surgem os profetas para reagir contra a falta de fidelidade a Deus e para restaurar a fé.

Objetivo mínimo

Aqui deixamos a sebenta que é utilizada na paróquia há vários anos como ferramenta de apoio às sessões. Sugerimos que cada um(a) tenha como objetivo mínimo ler o capítulo de cada sessão. Aqui fica o PDF da Sessão 07.

Para aprofundar

Para aprofundar o tema de forma lúdica, sugerimos a visualização destes vídeos que em poucos minutos nos dá uma visão bastante enriquecedora sobre o tema.

Nota: Para saber mais sobre a origem dos seguintes vídeos clique AQUI. Estão falados em Português do Brasil. No Youtube está disponível a versão falada em Inglês (com legendas em português).

I-06. A terra prometida e a ambição de um rei 

O povo israelita finalmente chega à Terra Prometida (1200 a.c) guiados por Josué. Mas a sua estadia não foi fácil como nos conta o livro dos Juízes. Seguiram-se dois séculos muito difíceis, entre conquistas territoriais e provações da sua própria fé. Naquele tempo, aquele território era era ocupada pelos cananeus que prestavam culto aos seus ídolos, que os israelitas foram tentados varias vezes a adorar.

Mas de cada vez que o povo se arrepende e se volta para Deus, este não lhe falha e envia-lhe os Juízes, uma espécie de líderes tribais, que apesar de terem alguma falha de carácter, iam liderando os israelitas em vitórias sobre os povos oponentes e a esperança era restaurada. Mas seguiram-se períodos em que a idolatria voltava e começa tudo de novo, repetido por muitos ciclos idênticos. O último dos quais com o conhecido Sansão. Este povo ia sobrevivendo mas faltava fé e liderança espiritual.

O livro de Samuel, começa por nos apresentar um profeta escolhido por Deus para ser a Sua voz junto dos israelitas. Certo dia, os chefes das tribos,  vão ao encontro de Samuel e pediram-lhe um Rei que os governasse. Apesar de Deus perceber que as suas razões eram sobretudo militares políticas , Deus atendeu ao desejo e permite a Samuel sagrar Saúl como o primeiro rei de Israel (1020 – 1000 a.c).

Durante o seu reinado, Saúl acabou por esquecer com o tempo o verdadeiro propósito de ser rei. Contudo, não deixou de ter um papel importante ao unificar as tribos num só povo, criando uma nação. 

Com a morte de Saúl e por escolha do povo, David ocupa o trono (1000 – 961 a.c), o jovem pastor que foi ungido por Samuel e objeto de escolha divina, bem antes de se tornar rei. David tinha a força de Deus com ele e combateu sempre em seu nome. Foi um rei profundamente religioso e conservou até ao fim a sua grande fé. Conquistou Jerusalém, e fez desta capital e Cidade Santa.

Objetivo mínimo

Aqui deixamos a sebenta que é utilizada na paróquia há vários anos como ferramenta de apoio às sessões. Sugerimos que cada um(a) tenha como objetivo mínimo ler o capítulo de cada sessão. Aqui fica o PDF da Sessão 06.

Para aprofundar

Para aprofundar o tema de forma lúdica, sugerimos a visualização destes vídeos que em poucos minutos nos dá uma visão bastante enriquecedora sobre o tema.

Nota: Para saber mais sobre a origem dos seguintes vídeos clique AQUI. Estão falados em Português do Brasil. No Youtube está disponível a versão falada em Inglês (com legendas em português).