Também nós podemos aprender a subir para o Céu

Hoje, em muitos países do mundo, celebra-se a Solenidade da Ascensão do Senhor.

A imagem de Jesus que – como diz o texto bíblico (At 1,1-11) –, elevando-se da terra, sobe ao Céu, poderia levar-nos a perceber este Mistério como um acontecimento distante. Contudo, não é assim. Na realidade, estamos unidos a Jesus como os membros à cabeça, num único corpo, e a sua ascensão ao Céu atrai-nos também, com Ele, para a plena comunhão com o Pai. A este respeito, Santo Agostinho afirmava: «A precedência da cabeça constitui a esperança dos membros» (Sermo 265, 1.2).

Toda a vida de Cristo é um movimento de ascensão, que abraça e envolve, através da sua humanidade, o inteiro cenário do mundo, elevando e resgatando o homem da sua condição de pecado, levando luz, perdão e esperança onde havia trevas, injustiça e desespero, para chegar à vitória definitiva da Páscoa, na qual o Filho de Deus «morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida» (Prefácio pascal I).

A Ascensão, então, não nos fala de uma promessa distante, mas de um vínculo vivo, que nos atrai também para a glória celestial, alargando e elevando já nesta vida o nosso horizonte e aproximando cada vez mais a nossa maneira de pensar, de sentir e de agir à medida do coração de Deus.

E deste percurso de ascensão, nós conhecemos o caminho (Jo 14,1-6). Encontramo-lo em Jesus, na dádiva da sua vida, nos seus exemplos e nos seus ensinamentos, assim como o vemos traçado na Virgem Maria e nos santos: aqueles que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa Francisco gostava de dizer – «ao pé da porta» (cf. Exort. ap. Gaudete et exsultate, 7), com quem partilhamos o nosso dia-a-dia, pais, mães, avós, pessoas de todas as idades e condições, que com alegria e empenho se esforçam sinceramente por viver segundo o Evangelho.

Com eles, com o seu apoio e graças à sua oração, também nós podemos aprender a subir, dia após dia, para o Céu, fazendo objeto dos nossos pensamentos, como diz São Paulo, «tudo o que é verdadeiro […], justo, […] amável» (Fl 4,8) e pondo em prática, com a ajuda de Deus, aquilo que “ouvimos e vimos”, fazendo crescer, em nós e à nossa volta, a vida divina que recebemos no Batismo e que nos atrai constantemente para o Alto, para o Pai, e difundindo no mundo frutos preciosos de comunhão e de paz.

Que Maria, Rainha do Céu, nos ajude, iluminando e guiando o nosso caminho a cada momento.

Texto do Papa Leão XIV, Regina Caeli, Praça de São Pedro, 17 de maio de 2026

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