Na liturgia de hoje, é proclamada uma página esplêndida da Boa Nova que Jesus anuncia a toda a humanidade: o Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5, 1-12). Realmente, elas são luzes que o Senhor acende na penumbra da história, revelando o projeto de salvação que o Pai realiza por meio do Filho, com o poder do Espírito Santo.
No monte, Cristo entrega aos discípulos a nova lei, não já aquela escrita em pedras, mas nos corações: é uma lei que renova a nossa vida, tornando-a boa, mesmo quando para o mundo parece fracassada e miserável. Só Deus pode verdadeiramente chamar de bem-aventurados os pobres e os aflitos, porque Ele é o bem supremo que se doa a todos com amor infinito. Só Deus pode saciar aqueles que buscam paz e justiça, porque Ele é o justo juiz do mundo, autor da paz eterna. Só em Deus os mansos, os misericordiosos e os puros de coração encontram alegria, porque Ele é a realização da sua expectativa. Na perseguição, Deus é fonte de redenção; na mentira, é âncora da verdade. Por isso, Jesus proclama: «Exultai e alegrai-vos».
Estas Bem-aventuranças permanecem um paradoxo apenas para aqueles que acreditam que Deus é diferente do modo como Cristo o revela. Quem espera que os prepotentes continuarão sempre senhores da terra, surpreende-se com as palavras do Senhor. Quem se acostuma a pensar que a felicidade pertence aos ricos, pode acreditar que Jesus é um iludido. Mas a ilusão está precisamente na falta de fé em Cristo: Ele é o pobre que com todos partilha a sua vida, o manso que persevera na dor, o construtor da paz perseguido até à morte na cruz.
É assim que Jesus ilumina o sentido da história: não aquela escrita pelos vencedores, mas a que Deus realiza salvando os oprimidos. O Filho olha para o mundo com o realismo do amor do Pai; do outro lado estão, como dizia o Papa Francisco, «os profissionais da ilusão. Não devemos segui-los porque eles são incapazes de nos dar esperança» (link). Deus, ao contrário, doa esta esperança em primeiro lugar a quem o mundo descarta como caso perdido.
Queridos irmãos e irmãs, as Bem-aventuranças tornam-se para nós então uma prova de felicidade, levando-nos a perguntar-nos se a consideramos como uma conquista que se compra ou um dom que se partilha; se a depositamos em objetos que se consomem ou em relações que nos acompanham. Na verdade, é “por causa de Cristo” e graças a Ele que a amargura das provações se transforma na alegria dos redimidos: Jesus não fala de uma consolação distante, mas de uma graça constante que sempre nos sustenta, principalmente na hora da aflição.
As Bem-aventuranças exaltam os humildes e dispersam os soberbos. Por isso, peçamos a intercessão da Virgem Maria, a serva do Senhor, que todas as gerações chamam bem-aventurada.
Texto do Papa Leão XIV, Angelus, Praça de São Pedro, 1 de fevereiro de 2026
