Tendo recebido o batismo, Jesus inicia a sua pregação e chama os primeiros discípulos: Simão – conhecido como Pedro –, André, Tiago e João (Mt 4, 12-22). Ao observar atentamente esta passagem do Evangelho de hoje, podemos fazer duas perguntas: uma sobre o tempo em que Jesus começa a sua missão e outra sobre o lugar que escolhe para pregar e chamar os apóstolos. Perguntemo-nos: quando começa? Onde começa?
Em primeiro lugar, o Evangelista conta-nos que Jesus, «tendo ouvido dizer que João fora preso», começou a sua pregação. Esta ocorre, portanto, num momento que não parece ser o melhor: João Batista acabava de ser preso e, por isso, os líderes do povo estão pouco dispostos a acolher a novidade do Messias. Trata-se de um tempo que recomendaria prudência, mas é precisamente nesta situação obscura que Jesus começa a trazer a luz da boa nova: «Está próximo o Reino do Céu».
Também na nossa vida pessoal e eclesial, por vezes devido a resistências interiores ou a circunstâncias que consideramos desfavoráveis, pensamos não ser o momento certo para anunciar o Evangelho, para tomar uma decisão, para fazer uma escolha, para mudar uma situação. Porém, o risco é ficarmos paralisados pela indecisão ou prisioneiros de uma prudência excessiva, quando o Evangelho nos pede o risco da confiança: Deus trabalha em todo o tempo, sendo bom qualquer momento para o Senhor, mesmo se não nos sentimos preparados ou se a situação não parece ser a melhor.
O relato evangélico também nos mostra o lugar onde Jesus começa a sua missão pública: Ele, «abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm». Permanece contudo na Galileia, um território habitado principalmente por pagãos, que, devido ao comércio, é também uma terra de passagem e de encontros; poderíamos dizer que é um território multicultural, atravessado por pessoas com origens e filiações religiosas diferentes. O Evangelho diz-nos, desta forma, que o Messias vem de Israel, mas ultrapassa as fronteiras da sua terra para anunciar o Deus que se aproxima de todos, não exclui ninguém e não veio apenas para os puros, antes pelo contrário, envolve-se nas situações e nas relações humanas. Também nós, cristãos, devemos vencer a tentação de nos fecharmos: o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todas as circunstâncias e ambientes, para que seja fermento de fraternidade e paz entre as pessoas, as culturas, as religiões e os povos.
Irmãos e irmãs, tal como os primeiros discípulos, somos convidados a acolher o chamamento do Senhor, na alegria de saber que cada tempo e cada lugar da nossa vida são visitados por Ele e atravessados pelo seu amor. Rezemos à Virgem Maria, para que nos conceda esta confiança interior e nos acompanhe ao longo do caminho.
Texto do Papa Leão XIV, Angelus, Praça de São Pedro, 25 de janeiro de 2026
