Fomos feitos para Deus

Assim, nesta perspectiva, a Liturgia convida-nos a reviver, na Semana Santa que se aproxima, os acontecimentos da Paixão do Senhor – a entrada em Jerusalém, a Última Ceia, o julgamento, a crucificação e o sepultamento – para compreender o seu sentido mais autêntico e abrir-nos ao dom da graça que eles encerram. 

Na verdade, é em Cristo Ressuscitado, vencedor da morte e vivo em nós pela graça do Batismo, que tais acontecimentos encontram o seu cumprimento, para a nossa salvação e plenitude de vida. A sua graça ilumina este mundo, que parece estar em constante busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas importantes – tempo, energias, valores, afetos –, como se a fama, os bens materiais, os divertimentos e as relações passageiras pudessem preencher o nosso coração ou tornar-nos imortais. É o sintoma de uma necessidade de infinito que cada um de nós traz em si, mas cuja resposta não pode ser confiada ao que é efémero. Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus e não encontramos paz enquanto não descansarmos n’Ele (Confissões, I, 1.1).

A narrativa da ressurreição de Lázaro convida-nos, portanto, a estar atentos a essa necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, a libertar os nossos corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar que, como grandes pedras, nos aprisionam no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade. Nestes lugares não há vida, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

Também a nós Jesus ordena: «Vem cá para fora!», encorajando-nos a sair, regenerados pela sua graça, desses espaços confinados, para caminharmos na luz do amor, como mulheres e homens novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites.

Que a Virgem Maria nos ajude a viver assim estes dias santos: com a sua fé, com a sua confiança, com a sua fidelidade, a fim de que também para nós se renove, todos os dias, a experiência luminosa do encontro com o seu Filho ressuscitado.

Texto do Papa Leão XIV, Angelus, Praça de São Pedro, 22 de março de 2026

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