Hoje, o Evangelho (Jo 1, 29-34) fala-nos de João Batista, que reconhece em Jesus o Cordeiro de Deus, o Messias, dizendo: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!»; e acrescenta: «Foi para Ele se manifestar a Israel que eu vim batizar com água».
João reconhece em Jesus o Salvador, proclama a sua divindade e missão em favor do povo de Israel e depois, tendo cumprido a sua tarefa, afasta-se, como atestam estas suas palavras: «Depois de mim vem um homem que me passou à frente, porque existia antes de mim».
João Batista é um homem muito amado pelas multidões, a ponto de ser temido pelas autoridades de Jerusalém. Teria sido fácil explorar esta fama, mas ele não cede de forma alguma à tentação do sucesso e da popularidade. Diante de Jesus, reconhece a própria pequenez e abre espaço para a grandeza d’Ele. Sabe que foi enviado para preparar o caminho do Senhor e, quando o Senhor vem, reconhece com alegria e humildade a sua presença, retirando-se de cena.
Quão importante é para nós, hoje, o seu testemunho! Realmente, muitas vezes é dada uma demasiada importância à aprovação, ao consenso e à visibilidade, a ponto de condicionar as ideias, os comportamentos e os estados de espírito das pessoas, causando sofrimento e divisões, criando estilos de vida e de relacionamento efémeros, decepcionantes e aprisionadores. Na realidade, não precisamos desses “substitutos de felicidade”. A nossa alegria e grandeza não se baseiam em ilusões passageiras de sucesso e fama, mas em saber-nos amados e queridos pelo nosso Pai que está nos céus. É o amor de que Jesus nos fala: o amor de um Deus que ainda hoje vem estar no meio de nós, não para nos surpreender com efeitos especiais, mas para partilhar o nosso cansaço e assumir os nossos fardos, revelando-nos quem realmente somos e quanto valemos a seus olhos.
Caríssimos, não nos deixemos distrair enquanto Ele passa. Não desperdicemos tempo e energia buscando o que é apenas aparência. Aprendamos com João Batista a manter o espírito vigilante, amando as coisas simples e as palavras sinceras, vivendo com sobriedade e profundidade de mente e coração, contentando-nos com o necessário e encontrando, de preferência todos os dias, um momento especial para nos determos em silêncio a rezar, refletir, escutar, enfim, “fazer deserto”, a fim de encontrar o Senhor e estar com Ele.
Que em tudo isto nos ajude a Virgem Maria, modelo de simplicidade, sabedoria e humildade.
Texto do Papa Leão XIV, Angelus, Praça de São Pedro, 18 de janeiro de 2025
