Queridos irmãos e irmãs, […] iniciamos o Advento, preparando-nos para reviver, no Natal, o mistério de Jesus, Filho de Deus. […] Neste contexto, a Liturgia propõe-nos, na primeira leitura (Is 2, 1-5), uma das páginas mais belas do livro do profeta Isaías, onde ressoa o convite dirigido a todos os povos para subirem ao monte do Senhor, lugar de luz e de paz. Gostaria, pois, que meditássemos sobre o nosso ser Igreja, detendo-nos em algumas imagens contidas neste texto.
A primeira é a do monte «mais alto de todos». Ela nos lembra que os frutos da ação de Deus em nossa vida não são um dom apenas para nós, mas para todos. A beleza de Sião, cidade sobre o monte, símbolo de uma comunidade renascida na fidelidade que se torna sinal de luz para homens e mulheres de todas as origens, lembra-nos que a alegria do bem é contagiante. Encontramos confirmação disso na vida de muitos santos. […]
São João Crisóstomo, […] falava do encanto da santidade como um sinal mais eloquente do que muitos milagres. Ele dizia: «O prodígio acontece e passa, mas a vida cristã permanece e edifica continuamente» […], e concluía: «Vigiemos, portanto, sobre nós mesmos, para beneficiar também os outros». Caríssimos, […] vigiemos sobre nós mesmos, como nos recomenda o Evangelho (Mt 24, 42): cultivemos a nossa fé com a oração e com os Sacramentos, vivamo-la coerentemente na caridade, rejeitemos – como nos disse São Paulo na segunda leitura – as obras das trevas e vistamos as armas da luz (Rm 13, 12). O Senhor, a quem esperamos em sua vinda gloriosa no fim dos tempos, vem todos os dias bater à nossa porta. Estejamos prontos com o compromisso sincero de uma vida boa. […]
A segunda imagem que nos vem do profeta Isaías é a de um mundo onde reina a paz.[…] Quão urgente parece-nos hoje este apelo! Quanta necessidade de paz, unidade e reconciliação existe à nossa volta, dentro de nós e entre nós! Como podemos contribuir para corresponder a esta exigência? […] Na importância dos nossos comuns esforços pela unidade […]: dentro da comunidade, nas relações ecuménicas com os membros de outras Confissões cristãs e no encontro com os irmãos e irmãs pertencentes a outras religiões. Cuidar destas três pontes, reforçando-as e ampliando-as de todas as formas possíveis, faz parte da nossa vocação de ser uma cidade construída sobre o monte.[…]
Vivemos num mundo em que, com demasiada frequência, a religião é usada para justificar guerras e atrocidades. No entanto, sabemos que, como afirma o Concílio Vaticano II, «de tal maneira estão ligadas a relação do homem a Deus Pai e a sua relação aos outros homens seus irmãos, que a Escritura afirma: “quem não ama, não conhece a Deus”» ( Link). Por isso, queremos caminhar juntos, valorizando o que nos une, derrubando os muros do preconceito e da desconfiança, promovendo o conhecimento e a estima recíproca, para dar a todos uma forte mensagem de esperança e um convite a tornarem-se “operadores de paz”.
Caríssimos, façamos destes valores os nossos propósitos para o tempo do Advento […] para amar a Deus e aos irmãos com todo o coração, para caminharmos juntos e para que possamos nos reencontrar, um dia, todos na casa do Pai.
Resumo do texto do Papa Leão XIV, Homilia, Istambul, 29 de novembro de 2025
