Escuta o Papa: Dedicação Basílica de Latrão


Neste dia da Dedicação da Basílica de Latrão, contemplamos o mistério de unidade e comunhão com a Igreja de Roma, chamada a ser a mãe que cuida com solicitude da fé e do caminho dos cristãos espalhados pelo mundo.

A Catedral da Diocese de Roma e, como sabemos, sede do sucessor de Pedro não é apenas uma obra de extraordinário interesse histórico, artístico e religioso, mas representa o centro propulsor da fé, confiada e guardada pelos Apóstolos, e da sua transmissão ao longo da história. A grandeza deste mistério brilha também no esplendor artístico do edifício que, precisamente na nave central, acolhe doze grandes imagens dos Apóstolos, primeiros seguidores de Cristo e testemunhas do Evangelho.

Isto remete para uma visão espiritual, que nos ajuda a ir além da aparência exterior, compreendendo no mistério da Igreja muito mais do que um simples lugar, um espaço físico, uma construção feita de pedras; na verdade, como nos recorda o Evangelho, no episódio da purificação do Templo de Jerusalém, realizada por Jesus (cf. Jo 2, 13-22), o verdadeiro santuário de Deus é Cristo morto e ressuscitado. Ele é o único mediador da salvação, o único Redentor, Aquele que, unindo-se à nossa humanidade e transformando-nos com o seu amor, representa a porta (cf. Jo 10, 9) que se escancara para nós e nos conduz ao Pai.

Unidos a Ele, também nós somos pedras vivas deste edifício espiritual (cf. 1 Pe 2, 4-5). Somos a Igreja de Cristo, o seu corpo, os seus membros chamados a difundir no mundo o seu Evangelho de misericórdia, consolação e paz, através daquele culto espiritual que deve resplandecer em primeiro lugar no nosso testemunho de vida.

Irmãos e irmãs, é para este olhar espiritual que devemos treinar o nosso coração. Muitas vezes, as fragilidades e os erros dos cristãos, a par de tantos lugares-comuns e preconceitos, impedem-nos de compreender a riqueza do mistério da Igreja. Efetivamente, a sua santidade não reside nos nossos méritos, mas na «liberalidade da entrega do Senhor que nunca foi revogada» e que continua a escolher «como recetáculo da sua presença, num amor paradoxal, também e precisamente as mãos sujas dos homens» (J. Ratzinger, Introdução ao Cristianismo).

Caminhemos, pois, na alegria de sermos o Povo santo que Deus escolheu e invoquemos Maria, Mãe da Igreja, para que nos ajude a acolher Cristo e nos acompanhe com a sua intercessão.

Resumo do texto do Papa Leão XIV, Angelus, Praça de São Pedro, 9 de Novembro de 2025

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