Escuta o Papa: 28º Domingo T.Comum


O apóstolo Paulo dirige-se hoje a cada um de nós, como a Timóteo. […] Acorrentado «como se fosse um malfeitor», Paulo recomenda-nos que não percamos o centro, que não esvaziemos o nome de Jesus da sua história, da sua cruz. […] Jesus é a fidelidade de Deus, a fidelidade de Deus a si mesmo. É preciso, portanto, que o domingo nos faça cristãos, ou seja, que encha o nosso sentir e o nosso pensar com a memória incandescente de Jesus, modificando a nossa convivência, a nossa habitação na terra.[…] 

A leitura do Segundo Livro dos Reis (5, 14-17) recordou-nos a cura de Naamã, o Sírio. […] Caríssimos, «a palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes […]». Assim, o Papa Francisco viu, por sua vez, na história de Naamã, […] uma palavra penetrante e atual para a vida da Igreja. Falando à Cúria Romana, disse: «Este homem vive um drama terrível: é leproso. A sua armadura, a mesma que lhe proporciona fama, na realidade cobre uma humanidade frágil, ferida, doente. Esta contradição, encontramo-la frequentemente na nossa vida: às vezes, os grandes dons constituem a armadura para encobrir grandes fragilidades. […] Se Naaman tivesse continuado apenas a acumular medalhas para dependurar na sua armadura, acabaria por ser consumido pela lepra: aparentemente vivo, sim, mas fechado e isolado na sua doença».

Jesus liberta-nos desse perigo; Ele que não usa armaduras, mas nasce e morre nu; Ele que oferece o seu dom sem obrigar os leprosos curados a reconhecê-lo: apenas um samaritano, no Evangelho, parece perceber que foi salvo (cf. Lc 17, 11-19). Talvez, quanto menos títulos se possa ostentar, mais claro aparece que o amor é gratuito. Deus é puro dom, somente graça. […]

Com efeito, os leprosos que, no Evangelho, não voltam para agradecer lembram-nos que a graça de Deus também pode vir até nós e não encontrar resposta, pode curar-nos e não nos envolver. Tenhamos cuidado, portanto, com aquele subir ao templo que não nos faz seguir Jesus. Existem formas de culto que não nos ligam aos outros e anestesiam o nosso coração. Então, não vivemos verdadeiros encontros com aqueles que Deus coloca no nosso caminho; não participamos, como fez Maria, na mudança do mundo e na alegria do Magnificat. […] 

O caminho de Maria é seguir Jesus, e o caminho de Jesus é dirigir-se a todos os seres humanos, especialmente aos pobres, aos feridos, aos pecadores. Por isso, a autêntica espiritualidade mariana torna atual na Igreja a ternura de Deus, a sua maternidade. […] «Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. N’Ela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes.» (n. 288).[…] 

Que Maria Santíssima, nossa esperança, interceda por nós e oriente-nos sempre e para sempre para Jesus, o Senhor crucificado. N’Ele, há salvação para todos.

Resumo do texto do Papa Leão XIV, Homilia, Praça de São Pedro, 12 de Outubro de 2025

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