Escuta o Papa: 27º Domingo T.Comum


Hoje celebramos o Jubileu do mundo Missionário e dos Migrantes. É uma bonita ocasião para reavivar em nós a consciência da vocação missionária, que nasce do desejo de levar a alegria e a consolação do Evangelho a todos, especialmente a quem está a viver uma história difícil e ferida. Penso em particular nos irmãos migrantes, que tiveram de abandonar a sua terra, muitas vezes deixando os seus entes queridos, atravessando noites de medo e solidão, vivendo na pele a discriminação e a violência. […] Perante estes cenários sombrios, ressurge o grito que tantas vezes na história se elevou a Deus. […] Esta manhã, ouvimos do profeta Habacuque: «Até quando, Senhor, pedirei socorro, sem que me escuteis? […] Porque me fazeis ver a iniquidade e contemplar a desgraça?» (Hab 1, 2.3). […]A resposta do Senhor, porém, abre-nos à esperança. Se o profeta denuncia a força inevitável do mal que parece prevalecer, o Senhor, por sua vez, anuncia-lhe que tudo isso terá um fim, […] porque a salvação virá e não tardará: «Eis que sucumbe o que não tem a alma reta, mas o justo viverá pela sua fidelidade». (Hab 2, 4).

Existe […] uma nova possibilidade de vida e salvação que provém da fé, porque ela não só nos ajuda a resistir ao mal, […] mas transforma a nossa existência de tal forma que a torna um instrumento da salvação que Deus ainda hoje quer realizar no mundo. Trata-se, como nos diz Jesus no Evangelho, da força da mansidão: a fé não se impõe com os meios do poder […]; basta que seja como um grão de mostarda para fazer coisas impensáveis (Lc 17, 6), porque traz em si a força do amor de Deus que abre caminhos de salvação.  É uma salvação que se realiza quando nos comprometemos pessoalmente e nos interessamos, com a compaixão do Evangelho, pelo sofrimento do próximo; é uma salvação que, silenciosa e aparentemente ineficaz, abre caminho através dos gestos e das palavras quotidianas, que se tornam como a pequena semente de que nos fala Jesus; é uma salvação que cresce lentamente quando nos tornamos “servos inúteis”, ou seja, quando nos colocamos ao serviço do Evangelho e dos irmãos sem procurar os nossos interesses […].

Com essa confiança, somos chamados a renovar em nós o fogo da vocação missionária. […] Irmãos e irmãs, […] se durante muito tempo associámos a missão ao “partir”, ao ir para terras distantes que não conheciam o Evangelho […], hoje as fronteiras da missão já não são geográficas, porque a pobreza, o sofrimento e o desejo de uma esperança maior vêm ao nosso encontro. […] Não se trata tanto de “partir”, mas sim de “ficar” para anunciar Cristo através do acolhimento, da compaixão e da solidariedade: ficar sem nos refugiarmos no conforto do nosso individualismo, ficar para olhar nos olhos aqueles que chegam de terras distantes e martirizadas, ficar para lhes abrir os braços e o coração, para os acolher como irmãos e ser para eles uma presença de consolação e esperança. […] 

Resumo do texto do Papa Leão XIV, Homilia, Praça de São Pedro, 5 de Outubro de 2025

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