[…] A primeira leitura, tirada do Livro de Eclesiastes, convida-nos a entrar em contacto […] com a experiência dos nossos limites, da finitude das coisas que passam (Ecl 1, 2; 2, 21-23); e o Salmo responsorial, que ecoa a mesma mensagem, propõe-nos a imagem da «erva que de manhã brota vicejante, mas à tarde está murcha e seca» (Sl 90, 5-6). São duas advertências fortes […], mas que não devem assustar-nos[…]. Na verdade, a fragilidade de que nos falam faz parte da maravilha que somos. Pensemos no símbolo da erva: não é lindo um campo florido? Claro, é delicado, feito de caules finos, vulneráveis, sujeitos a secar, dobrar-se, partir-se, mas, ao mesmo tempo, imediatamente substituídos por outros que brotam depois deles e dos quais os primeiros se tornam generosamente alimento e adubo […]. É assim que vive o campo, renovando-se continuamente […] Queridos amigos, nós também […] fomos feitos […] para uma existência que se renova constantemente no dom […]. E assim aspiramos continuamente a um “algo mais” que nenhuma realidade criada nos pode dar. Sentimos uma sede tão grande e ardente que nenhuma bebida deste mundo pode saciar. Diante dela, não enganemos o nosso coração, tentando extinguí-la com subterfúgios ineficazes! Antes, ouçamo-la! […]
Santo Agostinho, falando da sua intensa busca por Deus, perguntava-se: «Qual é, então, o objeto da nossa esperança […]? É a terra? Não. Algo que deriva da terra, como o ouro, a prata, as árvores, a messe, a água […]? Estas coisas agradam, são belas, são boas». E concluía: «Procura quem as fez. Ele é a tua esperança». Em seguida, pensando no caminho que tinha percorrido, rezava dizendo: «Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! […] Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz» (Confissões, 10, 27).
Irmãs e irmãos, essas são lindas palavras que lembram o que o Papa Francisco disse a outros jovens como vós em Lisboa, […] «todos somos chamados a confrontar-nos com grandes interrogativos que […] não têm uma resposta simplista ou imediata, mas convidam a realizar uma viagem, superando-se a si mesmo,[…], uma decolagem sem a qual não há voo. Portanto, não nos alarmemos se nos encontramos intimamente sedentos, inquietos, incompletos, desejosos de sentido e de futuro […] Não estamos doentes, estamos vivos!» (link).
Há uma solicitação importante no nosso coração, uma necessidade de verdade que não podemos ignorar, que nos leva a perguntar: o que é realmente a felicidade? […] O que nos liberta dos pântanos do absurdo, do tédio, da mediocridade? […] A plenitude da nossa existência não depende do que acumulamos nem do que possuímos, como ouvimos no Evangelho (Lc 12, 13-21). Em vez disso, está ligada ao que sabemos acolher e partilhar com alegria. Comprar, acumular, consumir não basta. Necessitamos levantar os olhos, olhar para cima, para as «coisas do alto» (Cl 3, 2-13), para perceber que, entre as realidades do mundo, tudo tem sentido apenas na medida em que serve para nos unir a Deus e aos irmãos na caridade, fazendo crescer em nós «sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência», de perdão, de paz, como os de Cristo.[…]
Queridos jovens, a nossa esperança é Jesus. É Ele, como dizia São João Paulo II, «quem suscita em vós o desejo de fazer da vossa vida algo de grande […], no aperfeiçoamento de vós próprios e da sociedade, tornando-a mais humana e fraterna» (link). Mantenhamo-nos unidos a Ele, permaneçamos sempre na sua amizade, cultivando-a com a oração, a adoração, a Comunhão eucarística, a Confissão frequente, a caridade generosa. […] Onde quer que estejais, aspirai a coisas grandes, à santidade. Não vos contenteis com menos. Então, vereis crescer todos os dias, em vós e à vossa volta, a luz do Evangelho.
Confio-vos a Maria, Virgem da Esperança. […] Continuai a caminhar com alegria seguindo as pegadas do Salvador e contagiai com o vosso entusiasmo e o testemunho da vossa fé todos aqueles que encontrardes! Bom caminho!
Resumo do texto do Papa Leão XIV, Homilia no Jubileu da Juventude, Tor Vergata, 3 de Agosto de 2025
