Celebra-se hoje, em muitos países, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, o Corpus Christi, e o Evangelho narra o milagre dos pães e dos peixes (cf. Lc 9, 11-17). Para alimentar milhares de pessoas vindas para o ouvir e pedir curas, Jesus convida os Apóstolos a apresentarem-lhe o pouco que têm, abençoa os pães e os peixes e ordena que os distribuam a todos. O resultado é surpreendente: não só cada um recebe comida em quantidade suficiente, como sobra em abundância.
O milagre, mais que um prodígio, é um “sinal” e recorda-nos que os dons de Deus, mesmo aqueles pequeninos, quanto mais partilhados são, mais crescem. Porém, ao lermos tudo isto no dia do Corpus Christi, refletimos sobre uma realidade ainda mais profunda. Com efeito, sabemos que na raiz de toda a partilha humana há uma outra maior e anterior a ela: a de Deus para connosco. Ele, o Criador, que nos deu a vida, para nos salvar pediu a uma das suas criaturas para ser sua mãe e dar-lhe um corpo frágil, limitado e mortal, como o nosso, confiando-se a Ela como uma criança. Partilhou assim, até às últimas consequências, a nossa pobreza e, para nos resgatar, escolheu servir-se do muito pouco que lhe podíamos oferecer.
Pensemos como é bom, quando oferecemos um presente – porventura pequeno, proporcional às nossas possibilidades – ver que ele é apreciado por quem o recebe; como ficamos felizes quando sentimos que, apesar da sua simplicidade, aquele presente nos une ainda mais àqueles que amamos. Pois bem, na Eucaristia, entre nós e Deus, acontece exatamente isto: o Senhor acolhe, santifica e abençoa o pão e o vinho que colocamos sobre o Altar, juntamente com a oferta da nossa vida, e transforma-os no Corpo e Sangue de Cristo, Sacrifício de amor para a salvação do mundo. Deus une-se a nós acolhendo com alegria o que levamos e convida a unirmo-nos a Ele, recebendo e partilhando com igual alegria o seu dom de amor. Desta forma – diz Santo Agostinho – como dos «grãos de trigo, unidos entre si, […] se forma um só pão, assim, na concórdia da caridade, se forma um único corpo de Cristo».
Caríssimos, nesta tarde faremos a Procissão Eucarística. […] colocar-nos-emos a caminho, levando o Santíssimo Sacramento pelas ruas da nossa cidade. […] Reunir-nos-emos […] para implorar a Bênção do Senhor sobre as nossas casas, sobre as nossas famílias e sobre toda a humanidade. Que esta Celebração seja um sinal luminoso do nosso compromisso de sermos todos os dias, a partir do Altar e do Sacrário, portadores de comunhão e de paz uns para os outros, na partilha e na caridade.
Resumo do texto do Papa Leão XIV, Angelus, Praça de São Pedro, 22 de junho de 2025
