Escuta o Papa: Santíssima Trindade

Hoje, enquanto celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, vivemos os dias do Jubileu do Desporto. O binómio Trindade-desporto não é usado com muita frequência, mas a associação não é descabida. […] Afinal, Deus não é estático, nem está fechado em si mesmo. É comunhão, relação viva entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que se abre à humanidade e ao mundo. A teologia denomina essa realidade de pericoresis, ou seja, […] uma dança de amor recíproco. A vida brota deste dinamismo divino. […] Eis a razão pela qual o desporto pode ajudar-nos a encontrar o Deus Trino: porque exige um movimento do eu para o outro. […] Gostaríamos de destacar três aspectos em particular que tornam o desporto, hoje, um meio precioso de formação humana e cristã.

Em primeiro lugar, numa sociedade marcada pela solidão, em que o individualismo exagerado deslocou o centro de gravidade do “nós” para o “eu”, […] o desporto […] ensina o valor da colaboração, do caminhar juntos, daquela partilha que […] está no coração mesmo da vida de Deus. 

Em segundo lugar, numa sociedade cada vez mais digital, […] o desporto valoriza a concretude do estar juntos, o sentido do corpo, do espaço, do esforço, do tempo real. Assim, contra a tentação de fugir para mundos virtuais, o desporto ajuda a manter um contato saudável com a natureza e com a vida concreta, único lugar onde é possível exercer o amor.

Em terceiro lugar, numa sociedade competitiva, onde parece que apenas os fortes e os vencedores merecem viver, o desporto também ensina a perder, colocando o homem frente a frente, na arte da derrota, com uma das verdades mais profundas da sua condição: a fragilidade, o limite, a imperfeição. Isto é importante. […] Os campeões não são máquinas infalíveis, mas homens e mulheres que, mesmo derrotados, encontram a coragem para se reerguer. […] 

A esse respeito, […] São João Paulo II dizia que Jesus é “o verdadeiro atleta de Deus” porque venceu o mundo não com a força, mas com a fidelidade do amor (Homilia). Pensemos no Beato Pier Giorgio Frassati, padroeiro dos desportistas. […] A sua vida, simples e luminosa, recorda-nos que assim como ninguém nasce campeão, ninguém nasce santo. É o treino diário do amor que nos aproxima da vitória definitiva e nos torna capazes de trabalhar pela construção de um mundo novo. […] 

O Papa Francisco adorava sublinhar que, no Evangelho, Maria aparece ativa, em movimento, até mesmo “a correr”, pronta a partir para socorrer os seus filhos – como sabem fazer as mães – ao menor sinal de Deus (JMJ 2023). Peçamos a Ela que acompanhe […] os nossos esforços, orientando-os sempre para o melhor, até à vitória definitiva: a da eternidade, o “campo infinito” onde o jogo não terá fim e a alegria será plena.

Resumo do texto do Papa Leão XIV, Homilia, Basílica de São Pedro, 15 de junho de 2025

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