Escuta o Papa: Solenidade do Pentecostes

«Este é o dia solene em que, depois de sua Ressurreição e depois da glória de sua Ascensão, Jesus Cristo Nosso Senhor enviou o Espírito Santo». Também hoje renova-se o que aconteceu no Cenáculo: como um vento impetuoso que nos agita, como um estrondo que nos desperta, como um fogo que nos ilumina […]. O Espírito realiza algo extraordinário na vida dos Apóstolos. Após a morte de Jesus, eles se enclausuraram no medo e na tristeza, mas agora […] o Espírito Santo vence o medo, […] alivia as feridas, unge-os de força e lhes dá a coragem de sair ao encontro de todos para anunciar as obras de Deus. O trecho dos Atos dos Apóstolos diz-nos que […] «cada um os ouvia falar na sua própria língua». […] Como afirmou Bento XVI: «O Espírito Santo […] ultrapassa a ruptura que teve início em Babel […] e abre as fronteiras. […]

O Espírito abre as fronteiras principalmente dentro de nós. […] Essa presença do Senhor desfaz a nossa dureza, o nosso fechamento, […] os medos que nos bloqueiam e o narcisismo. […] É triste observar como num mundo onde se multiplicam as oportunidades de socialização, corremos o risco de ser paradoxalmente mais solitários. […] O Espírito de Deus, em vez disso, […] abre-nos ao encontro com nós mesmos […]; conduz-nos ao encontro com o Senhor […]; convence-nos […] que só se permanecermos no amor, é que receberemos também a força para observar a sua Palavra e, assim, sermos transformados por ela. […]

O Espírito, além disso, abre as fronteiras também nas nossas relações. […] Quando o amor de Deus habita em nós, tornamo-nos capazes de abrirmo-nos aos irmãos, […] de superar o medo em relação ao que é diferente […] .O Espírito Santo, […] faz amadurecer em nós os frutos que nos ajudam a viver relações verdadeiras e boas: «amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio». […] Esse é um critério decisivo também para a Igreja: só somos verdadeiramente a Igreja do Ressuscitado […] se […] soubermos dialogar e acolher-nos mutuamente, integrando as nossas diversidades […].

Por fim, o Espírito abre as fronteiras também entre os povos. […] As diferenças, quando o Sopro divino une os nossos corações […], não se tornam ocasião de divisão e conflito, mas um tesouro comum, […] que nos coloca em caminho, todos juntos, na fraternidade. O Espírito […] “nos ensina tudo” e “nos recorda as palavras de Jesus”; e, por isso, primeiramente ensina, recorda e grava nos nossos corações o mandamento do amor […]. E onde há amor, não há espaço […] para a lógica da exclusão que vemos emergir, infelizmente, também nos nacionalismos políticos. […] O Papa Francisco observou que «hoje, no mundo, há tanta discórdia, tanta divisão! Estamos conectados e, contudo, vivemos desligados uns dos outros, anestesiados pela indiferença e oprimidos pela solidão». […]  Invoquemos o Espírito […] a fim de que abra as fronteiras, derrube os muros, dissolva o ódio e nos ajude a viver como filhos do único Pai que está nos céus. 

Irmãos e irmãs: Pentecostes renova a Igreja e o mundo! […]  Que Maria Santíssima, […] Virgem visitada pelo Espírito, Mãe cheia de graça, nos acompanhe e interceda por nós.

Resumo do texto do Papa Leão XIV, Homilia, Praça de São Pedro, 8 de junho de 2025

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