O Evangelho da Liturgia de hoje(Jo 21, 1-19) narra a terceira aparição de Jesus Ressuscitado aos Apóstolos. É um encontro que tem lugar no lago da Galileia e diz respeito sobretudo a Simão Pedro. Tudo começa com ele que diz aos outros discípulos: «Vou pescar». […] era pescador, mas tinha abandonado aquela profissão […] para seguir Jesus. E agora, enquanto o Ressuscitado se faz esperar, Pedro, talvez um pouco desanimado, propõe aos outros o regresso à vida anterior. […] Mas, «Naquela noite nada apanharam» . Também nos pode acontecer, por cansaço, desilusão, talvez por preguiça, de esquecer o Senhor e negligenciar as grandes escolhas que fizemos […]. Por exemplo, não dedicamos tempo a falar uns com os outros em família, preferindo passatempos pessoais; esquecemos a oração […] negligenciamos a caridade […]. Mas, fazendo assim, ficamos desapontados: foi precisamente a deceção que sentiu Pedro, com as redes vazias […]. É uma estrada que te leva para trás e não te satisfaz.
E o que faz Jesus com Pedro? Volta novamente para a margem do lago onde tinha escolhido Pedro, André, Tiago e João […]. Jesus não repreende […] mas chama ternamente os discípulos: «Amigos». Depois convida-os, como antes, a lançarem de novo as redes, com coragem. E mais uma vez as redes se enchem até transbordar. Irmãos e irmãs, quando as nossas redes estão vazias na vida, não é o momento de sentir pena de nós mesmos, […] É tempo de se fazer ao largo com Jesus. […] Perante uma desilusão, ou uma vida que perdeu um pouco o sentido, […] parte de novo com Jesus, recomeça, faz-te ao largo! Ele está à tua espera.[…]
Pedro precisava daquele “choque”. Quando ouve João clamar: «É o Senhor!», mergulha imediatamente na água e vai em direção a Jesus. Assim, enquanto João, o mais novo, reconhece o Senhor, é Pedro, o mais velho, que se lança para ir ao seu encontro. Naquele mergulho há todo o entusiasmo recém-descoberto de Simão Pedro.[…] Hoje Cristo Ressuscitado convida-nos a um novo impulso, […] convida-nos a mergulhar no bem sem medo de perder algo, sem calcular demasiado, porque para conhecer Jesus tem é preciso arriscar. […] Perguntemo-nos: sou capaz de algum ímpeto de generosidade, ou impeço os impulsos do coração?
Então, no final deste episódio, Jesus dirige a Pedro, três vezes, a pergunta: «Amas-me?». O Ressuscitado pergunta hoje também a nós: Amas-me? Porque na Páscoa Jesus quer que o nosso coração ressuscite; porque a fé não é uma questão de conhecimento, mas de amor. Amas-me? pergunta Jesus a ti, a mim, a todos nós, que temos as redes vazias […], que não temos coragem de mergulhar. […] A partir de então, Pedro deixou de pescar para sempre e dedicou-se ao serviço de Deus […]. E nós, queremos amar Jesus?
Por favor, não se esqueçam de rezar por mim.
Resumo do texto do texto do Papa Francisco, Regina Caeli, Praça São Pedro, 1 de maio de 2022
