Escuta o Papa: São José Operário (C)

Hoje é a festa de São José Operário e o Dia do Trabalhador. […]

«E Deus criou» (Gn 1 e 2). Criou o mundo, criou o homem, e deu ao homem uma missão: administrar, trabalhar, continuar a criação. A Bíblia usa trabalho para descrever esta atividade de Deus: «Tendo Deus acabado no sétimo dia a obra que fizera, descansou de todo o seu trabalho». E confia esta atividade ao homem: […] o trabalho é apenas a continuação da obra de Deus: […] é a vocação do homem recebida de Deus no fim da criação do universo. É o trabalho que torna o homem semelhante a Deus, pois com o trabalho o homem é capaz de criar […]; até mesmo de criar uma família […]. E a Bíblia diz: «Viu Deus que tudo quanto tinha feito era muito bom». Ou seja, o trabalho tem em si uma bondade e cria a harmonia das coisas – beleza, bondade – e envolve o homem em tudo: no seu pensamento, na sua atuação, em tudo. O homem participa no trabalho. É a primeira vocação do homem: trabalhar. E isto dá dignidade ao homem. É a dignidade que o faz assemelhar-se a Deus. […]

Certa vez, numa Cáritas, a um homem que não tinha trabalho e fora à procura de algo para a família, um empregado dessa entidade […] disse: “Pelo menos podes levar o pão para casa” – “Mas isto não me basta, não me é suficiente”, foi a resposta: “Quero ganhar o pão a fim de o levar para casa”. Faltava-lhe a dignidade, a dignidade de “fazer” o próprio pão, com o seu trabalho, e de o levar para casa. A dignidade do trabalho, que infelizmente é tão espezinhada.[…]

Ainda hoje há muitos escravos, muitos homens e mulheres que não são livres para trabalhar.[…] Existe o trabalho forçado, injusto, mal pago e que leva o homem a viver com a dignidade espezinhada. […] A escravatura de hoje é a nossa “indignidade”, porque tira a dignidade […] de todos nós. […] Também aqui, no nosso lugar. Pensa nos trabalhadores, […] que tu fazes trabalhar por um salário mínimo e não oito, mas 12, 14 horas por dia. […] Pensa na empregada doméstica que não recebe um salário justo, não tem assistência da segurança social e nem sequer a possibilidade de se aposentar.[…] Toda a injustiça que se faz a uma pessoa que trabalha, espezinha a dignidade humana; inclusive a dignidade daquele que comete a injustiça. […] Ao contrário, a vocação que Deus nos dá é tão bonita: criar, recriar, trabalhar. Mas isto pode ser feito quando as condições são adequadas e a dignidade da pessoa é respeitada.

Unamo-nos hoje a muitos homens e mulheres, […] que comemoram o Dia do Trabalhador, […] por aqueles que lutam pela justiça no trabalho, por aqueles – bons empresários – que realizam o trabalho com justiça […]. E peçamos a São José […] que nos ajude a lutar pela dignidade do trabalho, a fim de que haja trabalho para todos e que seja um trabalho digno. Não trabalho escravo. Que esta seja a oração de hoje!

Resumo do texto do texto do Papa Francisco, Homilia, Capela Santa Marta, 1 de maio  de 2020

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