Escuta o Papa: Segunda-feira Páscoa (C)

Os dias da Oitava da Páscoa são como um único dia em que a alegria da Ressurreição se prolonga. O Evangelho da Liturgia de hoje continua a falar-nos do Ressuscitado, da sua aparição às mulheres que tinham ido ao sepulcro (Mt 28, 8-15). Jesus vai ao encontro delas, saúda-as; depois diz-lhes duas coisas, que também para nós será bom ouvir como dom de Páscoa.[…] 

Primeiro, tranquiliza-as com duas simples palavras: «Não temais!» […] O Senhor sabe que os receios são os nossos inimigos diários. Sabe também que os nossos temores nascem do grande medo […] da morte: medo de esvaecer, de perder os entes queridos, […] de não aguentar mais… Mas na Páscoa Jesus venceu a morte. Portanto, ninguém nos pode dizer de modo mais convincente: […] «Não tenhais medo!». O Senhor di-lo ali, ao lado do sepulcro do qual saiu vitorioso. Assim, convida-nos a sair dos túmulos dos nossos medos. […] Porque os nossos temores são como túmulos, enterram-nos lá dentro. Ele sabe que o medo está sempre à espreita […]  e que temos necessidade de ouvir repetir: […] não tenhas medo. […] “Eu”, diz-te Jesus, “experimentei a morte por ti, assumi sobre mim o teu mal”. Agora ressuscitei para te dizer: estou aqui, contigo, para sempre. Não temas!”. Mas como fazer, podemos dizer, para combater o medo? Ajuda-nos a segunda coisa que Jesus diz às mulheres: «Ide dizer aos meus irmãos que vão à Galileia, pois é lá que me verão». Ide e anunciai! O medo fecha-nos sempre em nós próprios […]. Por outro lado, Jesus faz-nos sair e envia-nos ao encontro dos outros. […] Porque não devemos guardar para nós a alegria pascal. […] Se nos abrirmos e levarmos o Evangelho, o nosso coração dilata-se e supera o medo. Este é o segredo: anunciar para vencer o medo. O texto de hoje diz-nos que a proclamação pode encontrar um obstáculo: a falsidade. […] O Evangelho fala de “contra-anúncio”. Qual? O dos soldados que tinham guardado o sepulcro de Jesus. São pagos […] e recebem estas instruções: «Direis que os seus discípulos vieram tirá-lo à noite, enquanto dormíeis». […] É o poder do dinheiro, aquele outro senhor que Jesus diz que nunca devemos servir. […] Isto é falsidade, a lógica do engano, que se opõe à proclamação da verdade. É um lembrete também para nós: […]  As falsidades […] levam-nos diretamente para a morte, para o túmulo. O Ressuscitado, por outro lado, quer tirar-nos dos túmulos de das falsidades e das dependências. […] Caros irmãos e irmãs, […] coloquemos a nossa opacidade, as nossas falsidades, perante a luz de Jesus ressuscitado. […] Que Maria, a Mãe do Ressuscitado, nos ajude a superar os nossos medos e nos conceda a paixão pela verdade.

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco,  Regina Caeli, Praça São Pedro, 18 de abril de 2022

Deixe um comentário