Escuta o Papa: 5º Domingo Quaresma (C)

Jesus, «de madrugada, voltou outra vez para o templo e todo o povo vinha ter com Ele» (Jo 8, 2). Assim começa o episódio da mulher adúltera. […] Jesus «sentou-Se – diz o Evangelho – e pôs-Se a ensinar». Mas, na escola de Jesus, há alguns ausentes. Detenhamo-nos nestes ausentes. Em primeiro lugar, os acusadores da mulher. […] Assim se apresentam a Jesus: não com o coração disponível para O escutarem, mas «para O fazerem cair numa armadilha e terem de que O acusar». […] Aos olhos do povo, parecem peritos de Deus, e contudo não reconhecem Jesus; antes pelo contrário, veem-No como um inimigo que precisam de eliminar. Para o conseguir, colocam diante d’Ele uma pessoa, como se fosse uma coisa […] denunciando publicamente o seu adultério. Pressionam para que a mulher seja apedrejada. […] E fazem tudo isto sob o manto da sua fama de homens religiosos. 

Irmãos e irmãs, estas pessoas dizem-nos que, até na nossa religiosidade […] há sempre o perigo de entender mal Jesus, ter o seu nome nos lábios, mas negá-Lo nas obras.[…] Então como saber se somos discípulos na escola do Mestre? Pelo modo como olhamos para o próximo: se o fazemos como Jesus nos faz ver hoje, isto é, com um olhar de misericórdia […] que é o coração de Deus. Para compreender se somos verdadeiros discípulos do Mestre, é preciso verificar também como olhamos para nós mesmos. Os acusadores da mulher estão convencidos de que não têm nada a aprender. […] Para Jesus o que conta é a abertura disponível de quem não se sente perfeito, mas necessitado de salvação.[…] E quando Lhe abrimos de verdade o coração, Jesus pode operar maravilhas em nós. 

Vemos acontecer isto mesmo na mulher adúltera. A sua situação parece irremediável, mas com maravilha sua vê-se absolvida por Deus […]: «Ninguém te condenou? – diz-lhe Jesus – Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar». […] Jesus, Palavra de Deus em pessoa, reabilita completamente a mulher, restituindo-lhe a esperança. […] Encontraram-se a Misericórdia e a miséria. […] Apetece-me pensar que, perdoada por Jesus, ela por sua vez aprendeu a perdoar. […]

O Senhor quer que também nós, seus discípulos, nós como Igreja, perdoados por Ele, nos tornemos testemunhas incansáveis de reconciliação: testemunhas dum Deus para o Qual não existe a palavra «irrecuperável»; dum Deus que sempre perdoa, sempre. […] Somos nós que nos cansamos de pedir perdão. […] Não há pecado ou fracasso que, levados a Ele, não possam tornar-se ocasião para começar uma vida nova, diferente, sob o signo da misericórdia. […] Se O imitarmos, não seremos levados a concentrar-nos na denúncia dos pecados, mas a sair amorosamente à procura dos pecadores. Não ficaremos a contar os presentes, mas iremos em busca dos ausentes. […] Isto, é o que Jesus nos ensina hoje com o exemplo. Deixemo-nos surpreender por Ele e acolhamos com alegria a sua novidade.

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco na Homilia em Malta, 3 de abril de 2022

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