O Evangelho da Liturgia deste domingo narra a chamada parábola do filho pródigo (Lc 15, 11-32). Ela leva-nos ao coração de Deus, que perdoa […] sempre! Diz-nos que Deus é Pai, que não só volta a receber, mas também se alegra e faz festa pelo seu filho, que voltou para casa depois de ter esbanjado todos os bens. Nós somos esse filho, e comove pensar como o Pai nos ama sempre e espera por nós.
Mas na mesma parábola há também o filho mais velho, que entra em crise. […] Com efeito, dentro de nós há também este filho mais velho e, pelo menos em parte, somos tentados a concordar com ele.: […] «Sirvo-te há tantos anos, sem nunca transgredir as tuas ordens», mas por «este teu filho» até festejas! […] O problema do filho mais velho sobressai destas palavras. Na relação com o Pai, ele baseia tudo sobre a pura observância das ordens, no sentido do dever. Pode ser também o nosso problema, entre nós e com Deus: perder de vista que Ele é Pai e viver uma religião distante, feita de proibições e deveres.
E a consequência desta distância é a rigidez em relação ao próximo […]. Com efeito, na parábola o filho mais velho […] diz o teu filho, como se dissesse: não é meu irmão. E no final ele mesmo corre o risco de ficar fora de casa. Sim – diz o texto – «não queria entrar». […] Vendo isto, o Pai sai para lhe suplicar: «Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu». […] Sabem-no bem os pais, que se aproximam muito do sentimento de Deus. […] Neste ponto da parábola, o Pai abre o coração ao filho mais velho, manifestando-lhe duas necessidades:[…] «Era necessário fazer festa e alegrar-se, pois este teu irmão estava morto e reviveu» […]
Em primeiro lugar, festejar, ou seja, manifestar a nossa proximidade a quem se arrepende ou está a caminho, a quem está em crise ou distante. […] Portanto, segundo o Pai, é preciso oferecer-lhe um acolhimento caloroso, que encoraje a continuar. […] Quanto bem pode fazer um coração aberto, uma escuta verdadeira, um sorriso transparente; […] Deus não sabe perdoar sem festejar! E o pai festeja, alegra-se porque o filho regressou.E depois, de acordo com o Pai, é preciso alegrar-se. Quem tem um coração sintonizado com Deus, quando vê o arrependimento de uma pessoa, por mais graves que tenham sido os seus erros, alegra-se. Não fica parado nos erros, não aponta o dedo contra o mal, mas alegra-se com o bem […]. Quanto a nós, será que sabemos alegrar-nos pelos outros? Que a Virgem Maria nos ensine a acolher a misericórdia de Deus, para que se torne a luz na qual olhar para o nosso próximo.
Por favor, não se esqueçam de rezar por mim.
Resumo do texto lido pelo Papa Francisco no Angelus, 27 de março de 2022
