Escuta o Papa: Solenidade da Anunciação

Acabamos de ouvir o anúncio mais importante da nossa história: a anunciação a Maria (cf. Lc 1, 26-38).[…] A anunciação de Jesus realiza-se num lugar remoto da Galileia, numa cidade periférica […], no anonimato da casa de uma jovem de nome Maria. […] Como Maria, também nós podemos estar desorientados. «Como acontecerá isto» em tempos com tanta especulação? […] Certamente, o ritmo vertiginoso a que estamos submetidos parece roubar-nos a esperança e a alegria. […] E paradoxalmente quando tudo se acelera para construir — em teoria — uma sociedade melhor, no final não se tem tempo para nada e para ninguém. […] Perdemos o tempo para a família, para a comunidade, para a amizade, para a solidariedade e para a memória. Diante desta desorientação de Maria, perante as nossas desorientações, são três as chaves que o Anjo nos oferece para nos ajudar a aceitar a missão que nos é confiada.

1. A primeira coisa que o Anjo faz é evocar a memória, […] Evoca a promessa feita a David como fruto da aliança com Jacó. Maria é filha da Aliança. Também nós hoje somos convidados a fazer memória[…]. Para não nos esquecermos dos nossos antepassados, […] e de tudo aquilo que passaram para chegar onde estamos hoje.[…] A memória ajuda-nos a não permanecer prisioneiros de discursos que semeiam ruturas e divisões como único modo para resolver os conflitos. Evocar a memória é o melhor antídoto […] diante das soluções mágicas da divisão.

2. A memória permite que Maria se aproprie da sua pertença ao Povo de Deus. Faz-nos bem recordar que somos membros do Povo de Deus! […] Um povo formado por mil rostos, histórias e proveniências, um povo multiétnico. Esta é uma das nossas riquezas […] É um povo que não tem medo de acolher quem necessita porque sabe que ali está presente o seu Senhor.

3. «Nada é impossível a Deus»: assim termina a resposta do Anjo a Maria. Quando acreditamos que tudo depende exclusivamente de nós, permanecemos prisioneiros das nossas capacidades, das nossas forças, dos nossos horizontes míopes. Quando, pelo contrário, nos dispomos a deixar-nos ajudar, aconselhar, quando nos abrimos à graça, parece que o impossível começa a tornar-se realidade. […] Como ontem, Deus […] continua a procurar homens e mulheres capazes de acreditar, capazes de fazer memória, de se sentirem parte de seu povo para cooperar com a criatividade do Espírito. […] Parafraseando Santo Ambrósio […] podemos dizer: Deus continua a procurar corações como o de Maria, dispostos a acreditar até em condições absolutamente extraordinárias . Que o senhor faça crescer em nós esta fé e esta esperança.»

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco na Homilia, Milão, 25 de março de 2017

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