«Hoje […] a liturgia apresenta-nos a figura de São José (cf. Mt 1, 18-24). Ele é um homem justo, prestes a casar. Podemos imaginar o que sonha para o futuro: uma bela família, com uma esposa amorosa e muitos filhos bons, e um emprego digno: sonhos simples e bons, sonhos de pessoas simples e boas. Mas de repente estes sonhos são desiludidos com uma descoberta desconcertante: Maria, a sua noiva, espera um bebé, e aquele filho não é seu! O que deve ter sentido José? Desânimo, dor, perplexidade, talvez até irritação e desilusão… Experimentou que o mundo lhe caía em cima! […]
Irmãos, irmãs, o que nos diz José hoje? Também nós temos os nossos sonhos […]. Talvez lamentemos alguns sonhos quebrados, e vemos que as melhores expetativas são frequentemente confrontadas com situações inesperadas e desconcertantes. E quando isto acontece, José mostra-nos o caminho: não devemos ceder a sentimentos negativos, como a raiva e o fechamento, este é o caminho errado!
Ao contrário, devemos acolher as surpresas, as surpresas da vida, inclusive as crises, com uma atenção: que quando estamos em crise, não devemos escolher apressadamente segundo o instinto, mas deixar-nos peneirar, como fez José, “considerar todas as coisas” e basear-se no critério de fundo: a misericórdia de Deus.
Quando se habita a crise sem ceder ao fechamento, à raiva e ao medo, mas mantendo a porta aberta a Deus, Ele pode intervir. Ele é um especialista em transformar crises em sonhos: sim, Deus abre as crises a novas perspetivas que não imaginávamos antes, talvez não como esperamos, mas como Ele sabe. E estes, irmãos e irmãs, são os horizontes de Deus: surpreendentes, mas infinitamente mais amplos e mais belos do que os nossos!
Que a Virgem Maria nos ajude a vivermos abertos às surpresas de Deus.
E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim.»
Resumo do texto lido pelo Papa Francisco no Angelus, 18 de dezembro de 2022
