Escuta o Papa: 8º Domingo do T. Comum (C)

No Evangelho da Liturgia de hoje Jesus convida-nos a refletir sobre o nosso olhar e o nosso falar. […] Em primeiro lugar, sobre o nosso olhar. O risco que corremos, diz o Senhor, é concentrar-nos a olhar o argueiro no olho do irmão, sem nos darmos conta da trave no nosso (cf. Lc  6, 41). Em síntese, estar muito atentos aos defeitos dos outros, até aos pequenos como um argueiro, ignorando tranquilamente os nossos, dando-lhes pouca importância. […] Muitas vezes queixamo-nos de coisas que não funcionam na sociedade, na Igreja, no mundo, sem antes nos questionarmos e sem nos comprometermos a mudar primeiro a nós mesmos. […] Mas — explica Jesus — agindo assim, o nosso olhar é cego. E se formos cegos, não podemos pretender ser guias e mestres para os outros: com efeito, “um cego não pode guiar outro cego” .

Estimados irmãos, o Senhor convida-nos a limpar o nosso olhar.  Em primeiro lugar, pede-nos que olhemos para dentro de nós mesmos.[…] Se reconhecermos os nossos erros e as nossas misérias, abrir-se-á para nós a porta da misericórdia. E depois de ter olhado para dentro de nós, Jesus convida-nos a olhar para os outros como Ele faz — eis o segredo:[…]  Ele que não vê primeiro o mal, mas o bem. Deus olha para nós assim: não vê em nós erros irremediáveis, mas sim filhos que cometem erros. Muda a ótica: não se concentra nos erros, mas nos filhos que cometem erros. Deus distingue sempre a pessoa dos seus erros. […]. Sabemos que Deus perdoa sempre. E convida-nos a fazer o mesmo: a não procurar o mal nos outros, mas o bem.

Depois do olhar, Jesus convida-nos a refletir sobre o nosso falar. O Senhor explica que a boca «fala daquilo de que o coração está cheio». […] As palavras que usamos falam da pessoa que somos. Mas às vezes prestamos pouca atenção […], usando-as de maneira superficial. Mas as palavras têm um peso: […] com a língua podemos também alimentar preconceitos […] e agredir: a bisbilhotice fere e a calúnia pode ser mais afiada do que uma faca! Hoje, especialmente no mundo digital, as palavras voam; mas demasiadas delas veiculam raiva e agressividade, alimentam notícias falsas e aproveitam-se dos receios coletivos para propagar ideias distorcidas. […] Então, perguntemo-nos que tipo de palavras usamos: palavras que manifestam […], respeito, compreensão, proximidade, compaixão, ou palavras que visam principalmente fazer-nos mostrar-nos melhores diante dos outros? E depois, falamos com mansidão ou poluímos o mundo propagando veneno: criticando, queixando-nos, alimentando a agressividade generalizada? 

Que Nossa Senhora, […] nos ajude a purificar o nosso olhar e o nosso falar.

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco no Angelus de 27 de fevereiro de 2022

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