Escuta o Papa: 6º Domingo do T. Comum (C)

No centro do Evangelho da Liturgia de hoje estão as Bem-aventuranças (cf. Lc 6, 20-23). É interessante notar que Jesus, apesar de estar rodeado por uma grande multidão, proclama-as dirigindo-se «aos seus discípulos» […]. Com efeito, as Bem-aventuranças definem a identidade do discípulo de Jesus. Podem parecer estranhas, quase incompreensíveis para aqueles que não são discípulos, mas se nos perguntarmos como é um discípulo de Jesus, a resposta é precisamente as Bem-aventuranças. Vejamos a primeira, que é a base de todas as outras: «Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o Reino de Deus!». […] Jesus diz que são bem-aventurados porque são pobres. Em que sentido? No sentido em que o discípulo de Jesus não encontra a sua alegria no dinheiro, no poder nem sequer noutros bens materiais, mas nos dons que recebe todos os dias de Deus. […] Também os bens que possui, é feliz de os partilhar, porque vive na lógica de Deus. E qual é a lógica de Deus? A gratuidade.[…] Esta pobreza é também uma atitude em relação ao sentido da vida, porque o discípulo de Jesus não pensa que já sabe tudo.[…]  E esta é a pobreza: a consciência de ter de aprender todos os dias. O discípulo de Jesus […] é uma pessoa humilde, aberta, livre dos preconceitos e da rigidez. […] 

Aqueles que estão demasiado apegados às próprias ideias e certezas, quase nunca seguem realmente Jesus. Eles seguem-no um pouco,  apenas naquilo em que “concordam com Ele” […] mas depois, quanto ao resto, não está bem. Este não é um discípulo. […] Fica triste porque não é exatamente como ele quer a realidade escapa aos seus esquemas mentais e fica insatisfeito. 

Humanamente, somos levados a pensar […]: é feliz quem é rico, […], quem recebe aplausos […]. Mas isto é pensamento mundano, não é o pensamento das Bem-aventuranças! Jesus, pelo contrário, declara o sucesso mundano como um fracasso, porque se baseia num egoísmo que enche e depois deixa o coração vazio. Confrontado com o paradoxo das Bem-aventuranças, o discípulo deixa-se desafiar.[…] Isto requer um caminho. […] O Senhor, ao libertar-nos da escravidão do egocentrismo, liberta os nossos fechamentos […] e abre-nos à verdadeira felicidade, que muitas vezes se encontra onde não pensamos.[…] Podemos então perguntar-nos: […] tenho a disponibilidade do discípulo? Ou comporto-me com a rigidez de alguém […] que sente que já alcançou o que queria?  Será que sinto a alegria de seguir Jesus? Não esqueçamos: a alegria do coração. Esta é a referência para saber se uma pessoa é discípula. […] Que Nossa Senhora, primeira discípula do Senhor, nos ajude a viver como discípulos abertos e alegres.

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco no Angelus de 13 de fevereiro de 2022

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