Escuta o Papa: 3º Domingo T. Comum (C)

No Evangelho da Liturgia de hoje (Lc 4, 14-21) vemos Jesus que inaugura a sua pregação:  é a primeira pregação de Jesus. Ele vai a Nazaré, onde cresceu, e participa na oração na sinagoga. Levanta-se para ler e, no rolo do profeta Isaías, encontra a passagem relativa ao Messias, que proclama uma mensagem de consolação e libertação para os pobres e oprimidos (cf. Is 61, 1-2). No final da leitura, «os olhos de todos estavam fixos n’Ele». E Jesus começa assim: «Hoje cumpriu-se esta escritura». Reflitamos sobre este hoje. É a primeira palavra da pregação de Jesus citada no Evangelho de Lucas. Pronunciada pelo Senhor, indica um “hoje” que atravessa todas as épocas e permanece sempre válido. A Palavra de Deus é sempre “hoje”. Começa um “hoje”: quando lês a Palavra de Deus, na tua alma tem início um “hoje”, se a compreenderes bem. Hoje. A profecia de Isaías remontava a séculos, mas Jesus, «pelo poder do Espírito», torna-a atual e, sobretudo, leva-a a cumprimento, indicando o modo de receber. Hoje.

Os concidadãos de Jesus impressionaram-se com a sua palavra. Não obstante enevoados pelos preconceitos, não acreditem nele, percebem que o seu ensinamento é diferente daquele dos outros mestres: intuem que em Jesus há algo mais. O quê? Há a unção do Espírito Santo. […] A pregação corre este risco: sem a unção do Espírito empobrece a Palavra de Deus, cai no moralismo ou em conceitos abstratos; apresenta o Evangelho com distância, como se estivesse fora do tempo, longe da realidade. […] Uma palavra na qual a força do hoje não pulsa, não é digna de Jesus e não ajuda a vida das pessoas. […] 

Prezados irmãos e irmãs, neste Domingo da Palavra de Deus, gostaria de agradecer aos pregadores e anunciadores do Evangelho que permanecem fiéis à Palavra que comove o coração, que permanecem fiéis ao “hoje”.  […]  Com efeito, a Palavra de Deus é viva e eficaz (cf. Hb 4, 12), muda-nos, entra nas nossas vicissitudes, ilumina a nossa vida quotidiana, consola e traz ordem. Lembremo-nos: a Palavra de Deus transforma um dia comum no hoje em que Deus nos fala. 

Portanto, peguemos no Evangelho, cada dia uma pequena passagem para ler e reler. […]  Com o tempo descobriremos que estas palavras são para nós, para a nossa vida. Ajudar-nos-ão a aceitar cada dia com uma perspetiva melhor e mais serena, porque quando o Evangelho entra no hoje, enche-o de Deus. […]  E que Nossa Senhora obtenha para nós a constância de nos nutrir com o Evangelho todos os dias.

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco no Angelus de 23 de janeiro de 2022

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