O Evangelho da liturgia de hoje mostra-nos a cena com a qual Jesus inicia a vida pública: Ele, que é o Filho de Deus e o Messias, vai para as margens do rio Jordão e é batizado por João Batista. Depois de cerca de trinta anos vividos no escondimento, Jesus não se apresenta com algum milagre nem subindo à cátedra para ensinar. Ele põe-se na fila com o povo que ia receber o batismo de João. […] E Jesus partilha o destino de nós pecadores: […] imerge-se connosco, no nosso meio. Não se eleva acima de nós, mas desce rumo a nós. […]
No momento em que Jesus recebe o Batismo, o texto diz que «estava em oração» (Lc 3, 21). Faz-nos bem contemplar isto: Jesus reza. Mas como? Ele, que é o Senhor, o Filho de Deus, reza como nós? Sim, Jesus […] passa muito tempo em oração: no início de cada dia, muitas vezes à noite, antes de tomar decisões importantes… A sua oração é […] uma relação com o Pai.
Assim, no Evangelho de hoje podemos ver os “dois movimentos” da vida de Jesus: por um lado, ele desce rumo a nós, nas águas do Jordão; por outro, eleva o olhar e o coração rezando ao Pai. Esta é uma grande lição para nós: estamos todos imersos nos problemas da vida […] que nos puxam para baixo. Mas, se não quisermos ser esmagados, precisamos de elevar tudo para o alto. E a oração faz exatamente isto. […] A oração ajuda-nos porque nos une a Deus, abre-nos a um encontro com Ele. […]
A oração – para usar uma bonita imagem do Evangelho de hoje – “abre o céu”. […] Dá oxigénio à vida, dá fôlego também no meio dos afãs e faz com que se veja tudo de modo mais amplo. Sobretudo, permite-nos ter a mesma experiência de Jesus no Jordão: faz-nos sentir filhos amados pelo Pai. A nós também, quando rezamos, o Pai diz, como a Jesus no Evangelho: “Tu és o meu filho muito amado”. O nosso ser filhos começou no dia do Batismo, que nos imergiu em Cristo e, como membros do povo de Deus, nos transformou em filhos amados do Pai. […] Isto é uma coisa bonita: recordar a data do Batismo, porque é o nosso renascimento, o momento no qual nos tornamos filhos de Deus com Jesus. […]
E hoje, neste momento, perguntemo-nos: […] Cultivo a intimidade com Deus, dialogo com Ele, escuto a sua Palavra? Entre as muitas coisas que fazemos durante o dia, não negligenciemos a oração: dediquemos-lhe tempo, recitemos com frequência breves invocações, leiamos o Evangelho todos os dias. […] Dirijamo-nos a Nossa Senhora, Virgem orante, que fez da sua vida um cântico de louvor a Deus.
E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim.
Resumo do texto lido pelo Papa Franciscono Angelus de 9 de janeiro de 2022
