O Evangelho da Liturgia de hoje, terceiro Domingo de Advento, apresenta-nos vários grupos de pessoas – as multidões, os publicanos e os soldados – que são tocados pela pregação de João Baptista e depois perguntam-lhe: «O que devemos fazer?» (Lc 3, 10). […] Essa pergunta […] é o coração tocado pelo Senhor, é o entusiasmo pela sua vinda que leva a dizer: o que devemos fazer? […] Demos um exemplo: pensemos que um ente querido nos vem visitar. Aguardamo-lo com alegria e impaciência. A fim de o receber adequadamente, limparemos a casa, prepararemos a melhor refeição possível […]. Em suma, daremos o melhor de nós. Assim acontece com o Senhor, a alegria pela sua vinda faz-nos dizer: o que devemos fazer? Mas Deus formula esta questão a um nível mais elevado: o que devo fazer da minha vida? A que sou chamado? O que me realiza?
Ao colocar esta questão, o Evangelho recorda-nos algo importante: a vida apresenta-nos uma tarefa. A vida não é inútil, não é deixada ao acaso. Não! É um dom que o Senhor nos dá, dizendo-nos: descobre quem és, e trabalha para realizar o sonho que é a tua vida! Cada um de nós […] é uma missão a realizar. Portanto, não tenhamos medo de perguntar ao Senhor: o que devo fazer? […] Perguntemo-nos também nós: o que é bom fazer por mim e pelos irmãos? Como posso contribuir para o bem da Igreja, para o bem da sociedade? […]
A esta pergunta “o que devemos fazer?” responde João Batista no Evangelho, diferentemente para cada grupo. […] A cada um foi dirigida uma palavra específica, relativa à situação real da sua vida. Isto oferece-nos um precioso ensinamento: a fé encarna-se na vida concreta. Não se trata de uma teoria abstrata. A fé não é uma teoria abstrata, uma teoria generalizada, não, a fé toca a carne e transforma a vida de cada um. Pensemos sobre a concretismo da nossa fé. A minha fé: é algo abstrato ou concreto?[…] Perguntemo-nos: o que posso fazer concretamente? [..] Nestes dias […] assumamos um compromisso concreto, mesmo que pequeno, que se ajuste à nossa situação de vida, e levemo-lo a cabo para nos prepararmos para este Natal. Por exemplo: posso telefonar àquela pessoa sozinha, visitar aquele idoso ou doente, fazer algo para servir um pobre […]. Ou ainda: talvez eu tenha um perdão a pedir ou a conceder, uma situação a esclarecer […]. Talvez tenha negligenciado a oração, e depois de tanto tempo é hora de me aproximar do perdão do Senhor. Irmãos e irmãs, encontremos algo concreto e realizemo-lo! Que nos ajude Nossa Senhora, em cujo ventre Deus se fez carne.
Resumo do texto lido pelo Papa Francisco no Angelus, 12 de dezembro de 2021
