Escuta o Papa: 1º Domingo Advento (C)

O Evangelho da Liturgia de hoje, primeiro domingo do Advento, ou seja, o primeiro domingo de preparação para o Natal, fala-nos da vinda do Senhor no final dos tempos. Jesus anuncia eventos desoladores e tribulações, mas precisamente neste momento convida-nos a não ter medo. Porquê? Porque tudo vai correr bem? Não, mas porque Ele virá. […] Ele prometeu-o. […]. Mas como podemos levantar a cabeça, não nos deixamos absorver pelas dificuldades, pelos sofrimentos e pelas derrotas? Jesus indica-nos o caminho com um forte apelo: «Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados […]. Velai, orando continuamente» . […]

Das palavras de Cristo vemos que a vigilância está ligada à atenção: estai atentos, vigiai, não vos distraiais, […].  Vigiar significa isto: não permitir que o coração se torne preguiçoso e que a vida espiritual se amoleça na mediocridade. Prestai atenção porque se pode ser “cristãos adormecidos” – e nós sabemos: há muitos cristãos adormecidos, cristãos anestesiados pela mundanidade espiritual – cristãos sem ímpeto espiritual, sem ardor na oração  […]sem entusiasmo pela missão, sem paixão pelo Evangelho. […] 

Precisamos de estar vigilantes para não arrastar os dias no hábito, para não nos sobrecarregarmos – diz Jesus – com as preocupações da vida (cf. v. 34). As preocupações da vida sobrecarregam-nos. Por conseguinte, hoje é uma boa ocasião para nos perguntarmos: o que torna o meu coração pesado? […]. Quais são […] os vícios que me esmagam e me impedem de levantar a cabeça? E em relação aos fardos que pesam sobre os ombros dos irmãos, estou atento ou indiferente? Estas perguntas fazem-nos bem, pois ajudam a proteger o coração da acídia. É um grande inimigo da vida espiritual, também da vida cristã.  A acídia é aquela preguiça que faz precipitar, deslizar na tristeza, que cancela o gosto pela vida e a vontade de fazer. É um espírito negativo, um espírito mau que prende a alma no torpor, roubando-lhe a alegria. […]. 

O segredo para estar vigilante é a oração. Com efeito, Jesus diz: «Velai, orando continuamente» (Lc 21, 36). É a oração que mantém acesa a lâmpada do coração. Especialmente quando sentimos que o entusiasmo se arrefece, a oração reacende-o, porque nos reconduz para Deus, para o centro das coisas. A oração desperta a alma do sono e concentra-a no que é importante, na finalidade da existência. Até nos dias mais movimentados, não negligenciemos a oração. […]. Pensemos no presépio, no Natal, e digamos de coração: “Vinde, Senhor Jesus, vem”. Repitamos esta oração ao longo do dia, e o espírito permanecerá vigilante!

Por favor, não se esqueçam de rezar por mim.

Resumo do texto lido pelo Papa Francisco no Angelus, 28 de novembro de 2021

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