No módulo 3, começamos no exato ponto onde terminamos o módulo 2: o que acontece a seguir à Ressurreição de Jesus (com que terminam os evangelhos).
Essa descrição está no livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por São Lucas, que é uma continuação do seu evangelho. Durante 40 dias, Jesus Ressuscitado permanece na terra com os seus apóstolos e antes de subir ao céu os instrui a esperarem em Jerusalém para receber um novo tipo de poder que os tornará testemunhos fiéis do Reino de Deus.
50 dias após a Ressurreição, no festival judaico do Pentecostes, estando os apóstolos reunidos, desce sobre eles o Espírito Santo, sob a forma de as línguas de fogo. É bom relembrar que em algumas passagens do Antigo testamento Deus se manifestava sob a forma de fogo (a coluna de fogo que demonstrou a presença de Deus no tabernáculo). Antes a presença de Deus apenas estava reservada aos templos, Lucas sublinha que Deus agora habita no próprio povo, os que seguem Jesus.
Outra manifestação do Espirito Santo, foi que os apóstolos começaram falar em várias línguas, de maneira que todos os israelitas de várias proveniências os entendiam (depois da dispersão dos povos e das línguas em Babel, Deus agora cria harmonia entre todas as nações).
Pedro e os apóstolos testemunhavam a vida de um homem chamado Jesus que havia sido morto pelos romanos e ressuscitado, tornando-se o verdadeiro rei de Israel e do mundo. Baseado nas Escrituras, Pedro explica que isso é o cumprimento do esperado Messias de Israel. Milhares de peregrinos judeus começam a seguir o caminho de Jesus.
Assim, o evangelista destaca a formação de novas comunidade onde as pessoas vendem os seus bens em prol da comunidade, tratam dos pobres, comem suas refeições juntos, rezam juntos. No entanto, também há menção a um episódio de corrupção na comunidade.
Mas o problema maior vem de fora, com a perseguição dos líderes religiosos de Jerusalém que consideraram este movimento com uma perigosa seita religiosa. Quando um dos discípulos, Estevão, pregava às portas do tempo, «os seus adversários escolhem a solução mais mesquinha para aniquilar um ser humano: a calúnia ou falso testemunho» (Papa Francisco). Estevão foi apedrejado à morte, mas antes coloca a sua vida nas mãos do Senhor e morre como o Seu Mestre perdoando: «Senhor, não os condenes por este pecado.»
«O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, ao qual está unido pela caridade.» (CIC nº 2473)
«Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus.» (Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Romanos)
«Nem todos são chamados ao martírio de sangue, mas todos somos chamados a vivermos cotidianamente o “martírio branco”, que é o “martírio sem derramamento de sangue, em meio às perseguições”» (São João Paulo II, livro “Estou nas mãos de Deus”)
A maioria dos seguidores fugiu para outras regiões, como Samaria, onde viviam seus antigos inimigos. Lucas mostra como essas pessoas inesperadas começaram a seguir Jesus, como um feiticeiro de Samaria que aprendeu a servir aos outros. Pedro, por sua vez, teve uma visão que o levou a perceber que Deus declarava que os não-israelitas eram parte da família de Abraão, e decidiu falar aceitar batizar um centurião romano chamado Cornélio, bem como toda a familia.
Em Jerusalém, Saulo de Tarso era um isralita convicto que tinha como tarefa perseguir os seguidores deste movimento. Aliás ele próprio tinha estado na condenação de Estevão. Mas, após um encontro súbito com Jesus ressuscitado, Saulo se tornou um seguidor fervoroso de Jesus e começou a pregar a “boa nova” em Damasco.
Paulo (nome grego de Saulo) familiarizado com as estradas romanas, percorria várias cidades do Império Romano, deslocava-se à sinagoga local e lá anunciava que Jesus era o Rei Messiânico prometido nas escrituras
Também no mercado, onde fabricava tendas para sustentar suas viagens, ensinava a mensagem de Jesus, o amor como forma de governar. Esta mensagem frequentemente gerava oposição e tumultos, pois a adoração aos deuses mantinha unida a cultura romana e o novo ensinamento poderia ser visto como uma ameaça contra toda a ordem política.
Apesar das dificuldades, as pessoas eram cativadas pela história de Jesus e formavam novas comunidades, onde todos eram tratados como iguais. Essas pessoas viviam em comunidades, cuidavam dos pobres, vivendo como se Jesus fosse o verdadeiro rei.
«Jesus responde à nossa condição humana, tão elevada em dignidade mas ao mesmo tempo tão frágil, com uma presença amorosa que se curva, toma pela mão e levanta.»
«A única vez em que é lícito olhar as pessoas de cima para baixo é quando nos curvamos para ajudá-las a levantar-se.»
“Para a Igreja, cuidar dos doentes não é uma ‘atividade opcional’. É parte integrante de sua missão, como era da missão de Jesus: levar a ternura de Deus à humanidade sofredora.” (Papa Francisco, Angelus, Fevereiro 2021)
Paulo enfrentou muita dor e sofrimento na sua jornada, mas acreditava convictamente na mensagem de Cristo e na transformação que ela poderia proporcionar. Ele tinha um grande desejo de unificar todas as comunidades cristãs, independentemente de suas diferenças.
Numa ocasião, quando a comunidade de Jerusalém estava a sofrer com uma seca e escassez de alimentos, Paulo iniciou um projeto de captação de recursos entre as diversas igrejas que havia iniciado para levar ajuda a Jerusalém.
Isso era pessoal algo de pessoal paraPaulo, pois Jerusalém era onde ele costumava participar do assassinato dos seguidores de Jesus e agora ele podia servi-los. No entanto, sua ida a Jerusalém foi um risco, já que os líderes judeus não gostavam dele e queriam sua morte.
Como esperado, Paulo foi encontrado por seus inimigos e uma multidão se formou tentando matá-lo. Os soldados romanos salvaram sua vida, levando-o em custódia. Os líderes judeus acusaram Paulo de iniciar uma revolta contra Roma, mas não puderam provar.
Então, Paulo foi transferido de uma prisão para outra até que exigiu que seu caso fosse julgado na corte de César em Roma. Ele foi despachado para Roma e colocado sob prisão domiciliar, onde pode hospedar grupos de judeus e não-judeus, compartilhando as boas novas sobre Jesus, o rei ressuscitado. Este movimento era ousado, pois em Roma, o centro do poder, César governava o mundo como rei.
O livro de Actos termina com Lucas a sublinhar um contraste entre os reinos de César e Jesus. Ele deixa a história em aberto de propósito para que seus leitores saibam que a história não acabou e que eles podem participar do reino de Jesus que ainda está se espalhando nos dias de hoje, um TESTEMUNHO de cada vez.
Para aprofundar
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